
Em seu Plano de Governo para 2027–2030, o candidato ao Governo do Estado Tião Bocalom apresenta ao eleitor acreano uma proposta de gestão baseada na ampliação da produção, fortalecimento do agronegócio, melhoria da infraestrutura e modernização dos serviços públicos. Com o lema “Trabalho, experiência e compromisso com todo o Acre”, o documento está dividido em nove eixos: segurança pública, saúde, comércio e serviços, indústria e inovação, agronegócio e meio ambiente, infraestrutura, tecnologia, educação e esporte, cultura e turismo.
A principal diretriz econômica é resumida na visão “Produzir para Empregar”, ideia que o candidato defende há mais de 30 anos. O plano defende que o agronegócio se torne o principal eixo da matriz econômica do Estado, acompanhado pelo fortalecimento do comércio, da indústria, da bioeconomia e do turismo. Bocalom também propõe modernizar a legislação ambiental e ampliar a utilização de áreas agricultáveis, defendendo que desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem coexistir por meio do uso sustentável dos recursos naturais.
Segurança com tecnologia
Na segurança pública, a proposta é criar o Acre Mais Seguro, com ampliação do videomonitoramento, reconhecimento inteligente de veículos e pessoas e integração dos dados das forças de segurança em uma única plataforma. O plano também prevê o uso de inteligência artificial, drones e sensores para monitorar áreas urbanas, rurais e de fronteira.
O combate às organizações criminosas e ao tráfico de drogas e armas aparece entre as prioridades, com operações integradas e fortalecimento da inteligência policial. Para a fronteira com Peru e Bolívia, a proposta é ampliar a cooperação com as forças federais.
Entre as medidas específicas estão o Programa Escudo Rosa, para proteção de mulheres vítimas de violência, e o CampoSeguro, que prevê batalhões rurais e canais tecnológicos de comunicação entre produtores e forças de segurança. Para as escolas, o plano prevê videomonitoramento e integração entre segurança, educação, saúde e assistência social.
Saúde regionalizada
Na saúde, a principal estratégia é regionalizar o atendimento para reduzir o deslocamento de pacientes até Rio Branco. O plano prevê fortalecimento da atenção primária, ampliação da telemedicina e criação de estruturas de média e alta complexidade no interior.
Entre as propostas estão o fortalecimento dos hospitais regionais de Tarauacá e Brasiléia, a conclusão do novo hospital de Xapuri, a transformação de unidades mistas em Hospitais de Pequeno Porte e a expansão da hemodiálise para Sena Madureira e Tarauacá.
Também estão previstas uma UPA 24 horas em Epitaciolândia, a conclusão da UPA da parte alta e da nova maternidade de Rio Branco, a reativação da UPA do Tucumã e a construção de estruturas de saúde em Cruzeiro do Sul e Brasiléia. O candidato propõe ainda ampliar o transporte aeromédico para todo o Estado e implantar prontuário eletrônico integrado na rede estadual.
Campo como prioridade econômica
O agronegócio concentra uma das maiores frentes de propostas do plano. Para a agricultura familiar, estão previstos programas de produção de alimentos, leite e derivados. Para a produção comercial, o documento cita culturas como café, cacau, açaí e banana.
Bocalom também propõe regularização fundiária, georreferenciamento de pequenas propriedades, recuperação de ramais, substituição de pontes de madeira e expansão da rede elétrica trifásica em corredores produtivos.
Uma das propostas é a recriação da Emater, para oferecer assistência técnica gratuita à agricultura familiar em todos os municípios. O plano prevê ainda o fortalecimento da Cageacre, além do uso de drones, telemetria e monitoramento por satélite na produção rural.
Na agroindustrialização, aparecem propostas para atrair indústrias processadoras, fortalecer a cadeia do couro, ampliar a bacia leiteira e incentivar biorrefinarias e biocombustíveis.
Rodovias e integração internacional
A infraestrutura é apresentada como base para o desenvolvimento dos demais setores. O plano prevê investimentos em saneamento, manutenção da malha viária estadual e conservação permanente de ramais.
Bocalom também propõe cobrar do Governo Federal intervenções definitivas na BR-364, incluindo os trechos entre Rio Branco e o Vale do Juruá e entre a capital e Rondônia, além da recuperação da BR-317 até Assis Brasil.
A posição do Acre na fronteira com Peru e Bolívia é tratada como oportunidade econômica. O plano pretende transformar o Estado em um hub logístico transfronteiriço, aproveitando o acesso aos portos peruanos de Matarani, Ilo e Chancay. Também prevê fortalecer o Corredor Bioceânico e digitalizar os processos de importação e exportação.
Indústria, comércio e tecnologia
Para reduzir o chamado “Custo Acre”, o candidato propõe desburocratizar licenciamentos, modernizar a Zona de Processamento de Exportação de Senador Guiomard, estruturar um Porto Seco e estimular a internacionalização dos aeroportos de Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Outra proposta é criar a Agência Invest Acre, para concentrar informações destinadas a investidores e facilitar a abertura de novos mercados. O plano também prevê priorizar empresas acreanas nas compras públicas, quando juridicamente possível.
Na área tecnológica, Bocalom promete ampliar serviços públicos digitais, criar uma central de dados integrada e utilizar inteligência artificial na gestão. Também prevê um programa de qualificação digital, um Hub de Inovação e a expansão da Infovia Acre para áreas rurais e de fronteira.
Educação com tecnologia
Na educação, o plano prevê concursos públicos, valorização dos profissionais, formação continuada e modernização das escolas. A proposta inclui programação, robótica, inteligência artificial, ciência de dados e empreendedorismo digital na formação dos estudantes, além de reforço escolar para alunos com dificuldades em Português e Matemática.
Um dos projetos de maior destaque é o Acre Vai à NASA e DISNEY!, que prevê selecionar anualmente pelo menos 50 estudantes da rede estadual com melhor desempenho para uma imersão internacional em ciência, tecnologia, engenharia e inovação.
O plano também propõe incentivos vinculados à frequência e ao desempenho escolar e a entrega de notebooks a estudantes aprovados no ensino médio e posteriormente em universidades públicas. Reformas, climatização, quadras cobertas, bibliotecas e laboratórios de ciência, informática e robótica também estão entre as propostas.
Esporte, cultura e turismo
No esporte, Bocalom promete ampliar quadras cobertas, campeonatos e programas de formação de atletas. Também prevê a aquisição de quatro ônibus para transportar equipes esportivas e culturais.
Na cultura, a proposta é apoiar artistas, manifestações culturais e eventos, além de ampliar a divulgação do Acre.
Para o turismo, o plano prevê investimentos em aeródromos, portos e atracadouros, ampliação de rotas aéreas e ações específicas para o Vale do Juruá. Também estão previstas campanhas de promoção do destino Acre e qualificação de profissionais em inglês e espanhol.
Na conclusão, o documento defende que as nove áreas sejam tratadas de forma integrada, com redução das desigualdades entre capital e interior, fortalecimento da economia e melhoria dos serviços públicos.








