Após semanas de internação e recuperação em Rio Branco, Maria, menina que tinha 11 anos quando foi vítima da suposta ingestão de uma mistura contendo soda cáustica, deixou o Acre acompanhada da mãe no domingo (16). As duas iniciaram a viagem com destino a Manaus, no Amazonas, onde a criança deverá continuar recebendo os cuidados necessários.
A despedida foi registrada em vídeo pela pastora Regiane Maciel, que acompanhou de perto o caso e a recuperação da menina. Nas imagens, Maria aparece ao lado da mãe, próximo ao ônibus, momentos antes do embarque.
Emocionada, a pastora demonstra carinho pelas duas e diz que sentirá saudades.
“Nossa Maria já vai embarcar, né, Maria? Já vai pra Manaus, mais a Tati, né, Tati? Que vai deixar saudade. Eu vou fingir que não vou chorar. Vai ficar com saudade de mim?”, diz Regiane.
Maria recebeu alta hospitalar no dia 9 de agosto, depois de permanecer mais de um mês sob cuidados médicos. A menina chegou a ficar internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em razão das lesões provocadas pela ingestão da substância corrosiva. Com a evolução do quadro clínico, deixou a UTI e passou a se recuperar na enfermaria antes de receber autorização médica para deixar o hospital.
Durante esse período, a mãe da criança, que mora no Amazonas, veio ao Acre para acompanhar a recuperação da filha. Após a alta, uma mobilização também foi realizada para ajudar a família com os custos da viagem de retorno.
A própria pastora Regiane participou da campanha. Além das passagens terrestres até Manaus, mãe e filha ainda precisam seguir viagem até o município onde residem no interior amazonense.
Relembre o caso
O caso veio à tona no dia 3 de julho, em Rio Branco. Maria tinha 11 anos quando precisou ser socorrida e levada ao hospital após ingerir uma substância que, conforme as informações apuradas pelas autoridades, continha soda cáustica.
A gravidade das lesões levou a criança a ser internada e posteriormente encaminhada para a UTI. O episódio passou a ser investigado pela Polícia Civil para esclarecer em quais circunstâncias a menina teve acesso à substância e determinar eventuais responsabilidades.
A pastora Regiane Maciel teve participação importante nos primeiros momentos do caso. Vizinha da família, ela prestou auxílio à criança e procurou as autoridades para comunicar o ocorrido.
Com o avanço das investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva do pai e da madrasta de Maria. Os dois passaram a ser investigados, em tese, por tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos.
A madrasta, Joelma do Nascimento Maciel, apresentou-se às autoridades em julho e teve o mandado de prisão cumprido. Após passar por audiência de custódia, a prisão preventiva foi mantida pela Justiça.
A defesa da investigada contesta as acusações. Entre os argumentos apresentados está a versão de que Joelma também teria ingerido o medicamento que continha a substância corrosiva e sofrido intoxicação. As circunstâncias apresentadas pela defesa fazem parte do conjunto de informações analisado durante a investigação.
Já o pai de Maria, Francisco de Souza Reis, também teve a prisão preventiva decretada e permanece foragido.
Enquanto as autoridades seguem trabalhando para esclarecer as circunstâncias do episódio, Maria inicia uma nova etapa. A menina, que completou 12 anos este mês, deixa o Acre ao lado da mãe depois de enfrentar mais de um mês de internação e tratamento.







