Rio Branco, 23 de agosto de 2026.

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Terceira entrada de Tarauacá ganha nova intervenção e moradores destacam mudanças na região

A intervenção busca reforçar a estrutura da via e melhorar as condições de segurança para quem passa pelo local – Foto cedida

O Deracre avança na recuperação de um trecho da terceira entrada de Tarauacá, onde o cedimento do solo afetou a lateral da pista. A intervenção busca reforçar a estrutura da via e melhorar as condições de segurança para quem passa pelo local. A governadora Mailza Assis acompanhou a situação em abril e solicitou agilidade no envio dos insumos necessários para o início dos serviços.

“Essa é uma região que cresceu muito e que tem um fluxo importante de moradores, trabalhadores e veículos. Por isso, estamos acompanhando a recuperação do trecho e o andamento dos serviços necessários para melhorar as condições de acesso”, afirmou a governadora Mailza Assis.

Cerca de 15 trabalhadores estão mobilizados nos serviços, com dois rolos compactadores, uma pá-carregadeira, uma escavadeira e cinco caçambas. O fluxo de veículos é mantido durante a execução dos trabalhos.

A intervenção inclui execução de aterro e berma, aplicação de pedra, drenagem e compactação das camadas que vão receber o novo asfalto.

Para reforçar o trecho, 2,1 mil toneladas de pedra rachão já chegaram ao município. O material é transportado por carretas e caçambas e descarregado no antigo pátio do Deracre, no bairro Corcovado, que funciona como ponto de apoio para a operação.

Na entrada do frigorífico, também foi construída uma rampa de acesso. O local passou por adequação do terreno e compactação, além da aplicação de pedra para melhorar a drenagem e estabilizar o acesso.

Francisca relembra a transformação da região ao longo dos anos

Há 14 anos, quando Francisca Amaro, de 58 anos, chegou à região da terceira entrada de Tarauacá, as vias que hoje formam o acesso ainda eram de barro. A casa onde iria morar estava sendo construída e, para chegar até o imóvel, ela precisava passar por cima de tábuas de madeira.

“Quando eu cheguei aqui, a rua só tinha aquela esquina por lá e era tudo no barro. Para chegar na minha casa, eu tinha que passar por cima de umas varas. Depois que a gente veio morar aqui, meu marido fez um trapiche.”

Com o tempo, começaram os aterros e depois vieram as obras que deram forma às vias que hoje ligam a avenida Tancredo Neves à BR-364, com pavimentação, calçadas e ciclovia. O acesso passou a ser utilizado diariamente por moradores, estudantes e motoristas.

Francisca lembra principalmente dos períodos de chuva, quando o barro tornava ainda mais difícil a rotina de quem morava na região.

“Chovia que chegava a dar vontade de chorar. Quando era mais movimentado, era tudo no barro. Até que saiu essa rua mesmo, de verdade. Para mim, foi uma bênção.”

Hoje, o movimento também é outro. A terceira entrada recebe carros, caminhões e carretas que entram e saem de Tarauacá.

“Ficou muito movimentado. Tem hora que a gente nem consegue atravessar para o outro lado, porque na entrada da cidade passa muita carreta grande, muito carro grande.”

Raimundo constrói casa e comércio

No final da rua Nilo Freire, na esquina com a continuidade da avenida Tancredo Neves, Raimundo Nonato Aires de Souza, de 63 anos, também tem sua história ligada à transformação da região.

Ele comprou o terreno há 14 anos, quando ainda morava na zona rural. A compra foi feita sem que ele conhecesse o local.

“Eu comprei sem ver. O cara me ofereceu o terreno por R$ 2.500. Era 25 por 100. Aí eu comprei. Quando eu vi, era só água. Como é que eu fazia uma casa num lugar que não tinha nem onde enfiar um toco?”

Sem dinheiro para construir naquele momento, Raimundo voltou para a colônia. Depois, retornou levando madeira e fez uma pequena casa, de aproximadamente seis por cinco metros, para ter onde ficar quando viesse da zona rural.

Hoje, Raimundo trabalha como servente de pedreiro e constrói uma casa de alvenaria no mesmo terreno. Ao lado, também levanta o espaço para o comércio. A ideia é morar e trabalhar no mesmo lugar, aproveitando o movimento da terceira entrada para construir uma nova fonte de renda.

Dagmar faz da terceira entrada parte da rotina

“Eu gostei, amei. Antes não tinha para cá, agora tem para cá. Mudou muita coisa.”, disse Dagmar

No fim da tarde, Dagmar da Conceição, de 75 anos, sai para caminhar pela terceira entrada de Tarauacá. A atividade física faz parte da rotina. Pelo caminho, encontra pessoas e também passa pela região quando vai à igreja.

Ela lembra de quando o acesso era diferente e conta que gostou da mudança.

“Eu gostei, amei. Antes não tinha para cá, agora tem para cá. Mudou muita coisa.”

Hoje, Dagmar também percebe o movimento maior na região.

“Eu gostei bastante. É tudo animado, é tudo apavorado, é bom demais, até demais.”

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