
O Acre conseguiu recuperar parte das coberturas vacinais que haviam despencado ao longo dos últimos anos, mas o avanço ainda não foi suficiente para devolver ao Estado níveis considerados adequados de proteção. É o que mostra o Boletim Informativo nº 003/2026 de Coberturas Vacinais, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), com dados de janeiro a junho deste ano e uma série histórica que permite observar o comportamento da imunização ao longo da última década.
A trajetória apresentada pelo documento revela que o período mais crítico ocorreu durante a pandemia, entre 2020 e 2023, quando praticamente todos os principais indicadores sofreram forte deterioração. A partir de 2024, entretanto, começou uma recuperação das coberturas, que avançou em 2025. A Sesacre considera o cenário atual mais promissor do que o registrado uma década atrás, mas ressalta que ainda existem importantes lacunas a serem superadas.
Os números da série histórica ajudam a dimensionar o tamanho do problema. A cobertura da pneumocócica 10-Valente, por exemplo, caiu de 84,98% em 2016 para 70,34% em 2021, mas alcançou 95,85% em 2025. A meningocócica C passou de 78,69% para 65,68% entre 2016 e 2021 e chegou a 91,23% em 2025. Já a pólio saiu de 71,27% em 2016, atingiu apenas 61,78% em 2021 e fechou 2025 em 85,05%.
O caso mais expressivo é o da segunda dose da tríplice viral, cuja cobertura despencou de 64,20% em 2016 para apenas 25,95% em 2021. Apesar da recuperação posterior, o indicador chegou a 72,95% em 2025, ainda abaixo do nível considerado necessário para garantir proteção adequada da população.
Os dados mais recentes reforçam que a recuperação ainda está incompleta. Entre crianças menores de um ano, no primeiro semestre de 2026, apenas alguns imunizantes alcançaram ou se aproximaram dos parâmetros recomendados em determinados municípios ou regionais. Nenhum município atingiu a meta para febre amarela, enquanto apenas quatro alcançaram o parâmetro para BCG e meningocócica C.
O cenário também é desigual entre os municípios. Xapuri, por exemplo, registrou, entre janeiro e junho, 55,24% de cobertura para BCG, 62,94% para hepatite B, 88,81% para rotavírus, 92,31% para pneumocócica, 86,01% para pentavalente, 85,31% para pólio, 88,11% para meningocócica C e 81,12% para febre amarela entre menores de um ano.
O problema não se restringe às crianças pequenas. Entre adolescentes, a vacinação contra o HPV apresentou recuperação, mas permanece distante da meta. No primeiro semestre de 2026, a cobertura chegou a 57,82% entre meninas e 50,30% entre meninos. A meningocócica ACWY, destinada ao público de 11 a 14 anos, alcançou 61,92% no Estado, também abaixo da meta de 90%.
Entre gestantes, a dTpa chegou a 74,55% e a vacina contra o VSR, introduzida em 2026, alcançou 76,87%. Já a vacinação contra Covid-19 apresenta situação considerada preocupante pela própria Sesacre.
Outro indicador que chama atenção é o da influenza. A cobertura de 2025/2026 ficou em 44,36%, menos da metade da meta de 90%. A Secretaria destaca que a vacinação contra a gripe vem apresentando queda importante ao longo dos anos e que os idosos são atualmente o grupo menos imunizado.
Os dados mostram, portanto, que o cenário da vacinação acreana voltou a melhorar depois do período mais crítico da última década, mas ainda precisa recuperar terreno perdido.
Para a Sesacre, manter os esforços de vacinação ao longo de todo o ano é fundamental, já que as coberturas apresentadas no primeiro semestre ainda podem sofrer alterações e até redução caso a busca pela imunização diminua nos meses seguintes.







