Rio Branco, 9 de setembro de 2026.

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Previsão de El Niño muito forte no terceiro trimestre é alerta para estiagem prolongada no Acre

Estiagem prolongada deve aumentar tempo seco no Acre entre setembro e outubro – Foto gerada com recurso de IA

Depois de uma virada de agosto para setembro marcada por dois períodos distintos, de calor intenso nos últimos dias do mês passado e de uma queda nos termômetros que provocou um dia frio nesta segunda-feira, o Acre entra nesta semana no período mais seco do ano sob o alerta de que a Amazônia poderá enfrentar novamente condições severas de estiagem.

Um levantamento do MapBiomas divulgado no começo deste mês mostra que 2.172 das 5.673 localidades amazônicas analisadas — 38% do total — foram classificadas como de alta exposição à seca entre setembro e novembro de 2024, durante a última ocorrência do El Niño. Muitas destas localidades estão situadas no Acre, apesar de o infográfico do estudo não trazer informações mais detalhadas.

O cenário chama a atenção para o Acre diante das previsões para os próximos meses. Segundo o estudo, há alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no último trimestre de 2026. Modelos climáticos citados pelo MapBiomas apontam para chuvas abaixo da média entre setembro e novembro, enquanto as temperaturas podem ficar até 1°C acima do normal na Amazônia.

O levantamento cruzou informações sobre precipitação e redução da superfície de água em localidades de diferentes características, incluindo cidades, vilas, povoados, núcleos rurais e localidades indígenas e quilombolas.

Os números ajudam a dimensionar o impacto da seca de 2024. Entre setembro e novembro daquele ano, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica, enquanto a temperatura máxima ficou 2,6°C acima da média e a chuva foi 27% inferior ao padrão histórico.

A exposição, entretanto, foi muito mais ampla do que o grupo classificado como de alto risco. 5.273 localidades, equivalentes a 93% das analisadas, estavam a até cinco quilômetros de áreas que haviam perdido superfície de água.

O alerta é especialmente relevante para o Acre porque a redução da disponibilidade de água pode afetar diretamente comunidades que dependem dos rios. O MapBiomas destaca que períodos de seca podem provocar redução dos níveis dos cursos d’água, com consequências para transporte, acesso à água, pesca e outras atividades ligadas aos sistemas fluviais.

O levantamento também coloca a seca dentro de um processo ambiental de longo prazo. Apesar de a vegetação nativa ainda ocupar 81,3% da Amazônia, o bioma perdeu 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025. No mesmo período, a área ocupada pela agropecuária cresceu de 12,1 milhões para 65,3 milhões de hectares.

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