Rio Branco, 11 de setembro de 2026.

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Turista denuncia abuso sexual durante festival em aldeia no Acre e diz ter sido coagida a não registrar caso

A turista gaúcha Jordana Gonçalves Galho, de 31 anos, denunciou à Polícia Civil do Acre ter sido vítima de abuso sexual durante uma viagem à Aldeia do Rio Gregório, onde participava do Festival Mariri, realizado em território Yawanawá. O episódio teria ocorrido na madrugada de 31 de agosto, enquanto ela dormia em uma barraca acompanhada da filha, de 9 anos. Além da denúncia de violência sexual, Jordana afirma que enfrentou dificuldades para obter informações sobre o suspeito e que se sentiu pressionada a não procurar as autoridades.

O caso foi formalmente relatado no dia 2 de setembro na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEAMPCA), em Cruzeiro do Sul. Ao Portal Acre, Jordana detalhou os momentos vividos durante e após o episódio e afirmou que decidiu tornar a situação pública por temer que o caso não avance.

De acordo com o termo de declarações registrado na Polícia Civil, o qual a reportagem teve acesso, Jordana relatou que estava dormindo com a filha quando acordou com um homem tocando seu corpo. Segundo o documento, ela afirmou que o suspeito tocou suas partes íntimas, sem que houvesse, conforme seu relato, penetração.

A vítima também manifestou preocupação com a possibilidade de a filha ter sido tocada enquanto dormia. No depoimento, porém, consta que a criança não soube afirmar se isso ocorreu, uma vez que teria acordado com os gritos da mãe. Portanto, não há, no relato apresentado, confirmação de abuso contra a menina.

Ainda segundo a declaração prestada à polícia, o homem fugiu após perceber que a vítima havia acordado e deixou um aparelho celular para trás. Minutos depois, teria retornado para procurá-lo, momento em que Jordana começou a gritar e exigir que ele se afastasse.

A turista declarou ainda que pessoas que faziam a segurança do festival teriam detido o suspeito inicialmente, mas que ele teria sido liberado pouco depois. Ela afirmou à polícia não saber precisar se essas pessoas eram policiais ou integrantes da segurança privada do evento.

“Eu estava sendo calada”, relata vítima

Ao Portal Acre, Jordana afirmou ainda que um dos aspectos que mais lhe causou indignação foi a dificuldade para conseguir informações que, segundo ela, poderiam ajudar na identificação do suspeito e na formalização da denúncia.

“Minha busca pela imprensa é uma forma de demonstrar a minha indignação pelo fato de ser calada, de não ter o apoio e tentarem fazer com que eu fique invisível diante de tudo isso”, declarou.

No registro policial, a vítima também atribui a integrantes da organização do evento e a uma liderança indígena tentativas de dissuadi-la de registrar a ocorrência. Essas afirmações fazem parte da versão apresentada pela denunciante e ainda dependem de apuração pelas autoridades e do contraditório dos citados.

Jordana disse que permaneceu com medo durante o período em que ainda estava na aldeia, principalmente por estar acompanhada da filha e se encontrar em uma região de difícil acesso.

“Eu não sabia com quem realmente estava lidando. Eu tinha uma criança para proteger também, então eu não podia nos colocar em risco. Eu baixei a cabeça até chegar em terra onde realmente pudesse estar protegida para fazer o boletim de ocorrência”, relatou.

Mãe e filha deixaram a aldeia no dia 1º de setembro e seguiram para Cruzeiro do Sul. A turista procurou as autoridades e, no dia seguinte, prestou declarações na delegacia especializada. 

Vítima diz ter procurado Ministério Público

Após retornar ao seu estado de origem, Jordana afirma que também buscou o Ministério Público para comunicar o caso. Segundo ela, a decisão de procurar a imprensa surgiu diante do receio de que a denúncia não tivesse andamento.

“Eu preciso me posicionar, eu preciso fazer isso valer para que não fique impune, não seja mais um caso”, afirmou.

A turista também fez um apelo para que outras mulheres vítimas de violência sexual procurem as autoridades.

“Não se calem. Denunciem, não tenham medo”, disse.

Ela contou ainda que desembolsou R$ 19,2 mil pela experiência na aldeia, além das despesas com passagens aéreas, que, segundo seu relato, chegaram a quase R$ 12 mil. O custo total da viagem teria ultrapassado R$ 30 mil.

“Paguei R$ 19,2 mil para ir para um lugar onde, na minha experiência, não existiu segurança e tampouco auxílio após um ocorrido desse”, afirmou.

O registro policial apresentado ao Portal Acre documenta a versão de Jordana sobre os fatos. As acusações contra o suspeito e as alegações envolvendo integrantes da organização e lideranças mencionadas no depoimento deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

A reportagem do Portal Acre tentou contato com os responsáveis pelo Festival Mariri e representantes ligados à organização para obter um posicionamento sobre as denúncias apresentadas por Jordana, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

O espaço permanece aberto para manifestação dos responsáveis pelo evento, das lideranças Yawanawá e das demais pessoas mencionadas no relato.

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