
O governo federal apresentou uma proposta de redução de quase R$ 1 bilhão nos recursos destinados ao programa Luz para Todos em 2027. A medida pode ter reflexos especialmente em estados da Amazônia Legal, entre eles o Acre, onde milhares de moradores de áreas rurais e comunidades remotas dependem das ações de expansão do acesso à energia elétrica.
A proposta consta na consulta pública referente ao orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) destinado ao programa. Para 2027, estão previstos R$ 1,61 bilhão, ante R$ 2,57 bilhões considerados anteriormente. A diferença representa uma redução de aproximadamente R$ 967,1 milhões.
Os recursos previstos serão distribuídos entre 15 estados: Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Apesar da redução no orçamento geral, o Acre está entre os estados que deverão receber as maiores parcelas dos recursos, ao lado de Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí. A proposta ainda está em consulta pública e poderá receber contribuições durante o prazo estabelecido pelo Ministério de Minas e Energia.
Acre tem 39,1 mil pessoas atendidas desde 2023
No Acre, o Luz para Todos possui peso relevante principalmente para moradores de regiões rurais e de difícil acesso. Dados oficiais do Ministério de Minas e Energia mostram que 39,1 mil pessoas foram beneficiadas no estado entre janeiro de 2023 e setembro de 2025.
Com esse resultado, o Acre aparece na quinta posição entre os estados brasileiros com maior número de pessoas atendidas pelo programa no período. À frente estão Pará, com 351,7 mil pessoas; Piauí, com 67,1 mil; Amazonas, com 51,2 mil; e Bahia, com 48,8 mil.
Municípios acreanos com comunidades de difícil acesso, como Jordão e Marechal Thaumaturgo, estão entre as localidades citadas pelo próprio Ministério de Minas e Energia como exemplos de áreas remotas alcançadas pelas ações.
O Luz para Todos tem como objetivo ampliar o acesso à eletricidade para famílias de baixa renda que vivem em áreas rurais e regiões remotas da Amazônia Legal. Comunidades indígenas e quilombolas, famílias inscritas no Cadastro Único, escolas, unidades de saúde e assentamentos rurais estão entre os públicos considerados prioritários.
Em todo o Brasil, entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, o programa alcançou 162,9 mil famílias, correspondentes a aproximadamente 651,9 mil pessoas.
Criado em 2003 e retomado pelo governo federal em 2023, o Luz para Todos já alcançou milhões de brasileiros ao longo de sua existência. No fim de 2024, o programa contabilizava 3,7 milhões de domicílios atendidos e 17,6 milhões de pessoas beneficiadas desde sua criação.
A proposta orçamentária para 2027 ainda não representa um valor definitivo. Como está submetida a consulta pública, contribuições poderão ser apresentadas antes da definição do orçamento destinado ao programa.








