Rio Branco, 8 de novembro de 2026.

Essa pessoa existe? As redes começam a marcar perfis criados por IA

Olá, apaixonados por tecnologia! O Radar Tech, sempre antenado nas inovações que transformam o nosso mundo, hoje trata de uma pergunta que ficou comum no feed: essa pessoa existe mesmo? No fim de agosto, o Instagram anunciou que vai marcar de forma mais clara os perfis de pessoas criadas por inteligência artificial e diminuir o alcance de quem esconder isso. Nesta coluna você vai entender o que muda, o que as outras redes já fazem, o que a Justiça Eleitoral exige em plena campanha de 2026 e como identificar um perfil falso antes de cair em uma armadilha.

O que o Instagram anunciou

Em 31 de agosto de 2026, o Instagram trocou o antigo selo “Criador de conteúdo de IA” (AI creator) por um aviso mais direto: “Perfil gerado por IA” (AI-generated profile). A mudança de nome parece pequena, mas diz muito. O rótulo antigo dava a entender que se tratava de alguém que usa IA. O novo deixa claro que a pessoa mostrada no perfil não existe, é um personagem sintético.

A própria plataforma explicou o motivo: as pessoas não gostam de seguir um perfil que parece humano e só depois descobrir que tudo foi fabricado por computador. A decisão veio depois de reportagens internacionais que encontraram centenas de “influenciadores” artificiais promovendo aplicativos, produtos e até conselhos de saúde, alguns deles se apresentando como médicos.

Quem precisa usar o rótulo (e quem não precisa)

Aqui mora a principal dúvida, então vamos por partes:

  • Precisa usar: contas construídas em torno de uma pessoa gerada ou substancialmente criada por IA, como influenciadores virtuais, “modelos” e apresentadores sintéticos.
  • Não precisa usar: quem é uma pessoa real e usa IA para editar fotos, melhorar legendas, criar artes ou fazer outros ajustes criativos.

Ou seja, o empreendedor de Rio Branco que usa IA para montar o cartaz da promoção não vira “perfil gerado por IA”. O rótulo é para quando o próprio rosto da conta é artificial.

O castigo é no alcance, não na exclusão

O Instagram não vai apagar esses perfis. A punição é mais sutil e, para quem vive de engajamento, bem mais dolorosa: a conta que deveria ter o rótulo e não tem deixa de ser recomendada no Explorar e nos Reels para quem ainda não a segue. Quem ativa o selo por conta própria não perde distribuição por isso. E, se a plataforma marcar uma conta por engano, o responsável pode contestar.

Na prática, o recado é: a IA não está proibida; o que passou a custar caro é esconder o uso dela.

As outras redes também estão rotulando

O Instagram não está sozinho. O TikTok exige há anos que o criador marque conteúdo realista feito com IA e aplica o aviso “Gerado por IA” automaticamente em muitos casos. O YouTube também pede que o criador declare quando um vídeo realista foi alterado ou produzido sinteticamente.

Parte dessa identificação automática funciona graças a um padrão chamado C2PA (Coalizão para Procedência e Autenticidade de Conteúdo). Pense nele como uma “certidão de nascimento” digital escondida no arquivo: muitas ferramentas de IA gravam nos metadados que a imagem ou o vídeo foi gerado artificialmente, e a rede social lê essa informação na hora do envio.

Mas atenção: o rótulo ajuda, não resolve tudo. Metadados podem ser apagados em um simples print ou reenvio, e nem toda ferramenta grava essa marca. Por isso o olhar crítico de quem está do outro lado da tela continua sendo a melhor defesa.

E nas eleições de 2026?

O tema ganha peso extra porque estamos em plena campanha. A Resolução TSE nº 23.755, de 2 de março de 2026, atualizou as regras de propaganda eleitoral e colocou a inteligência artificial no centro do debate. Os pontos principais:

  1. Aviso obrigatório: todo conteúdo de propaganda criado ou alterado por IA precisa informar isso de modo explícito, destacado e acessível. Em áudio, o aviso vem no início; em imagem, com rótulo ou marca d’água.
  2. Deepfake proibido: é vedado usar IA para fabricar ou manipular fatos sabidamente falsos que prejudiquem o equilíbrio da eleição, como simular o rosto ou clonar a voz de candidatos.
  3. Janela de silêncio da IA: nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas depois, fica proibido publicar, republicar ou impulsionar novos conteúdos sintéticos com imagem ou voz de candidatos ou pessoas públicas, mesmo que estejam rotulados.
  4. Perfis falsos: a criação de perfis falsos para fazer propaganda também é proibida, com risco de multa e até de cassação.

Para o eleitor acreano, a dica é simples: nos dias que antecedem o primeiro turno, em 4 de outubro, desconfie em dobro de vídeos e áudios “bombásticos” que aparecerem de repente no grupo da família.

Enquanto isso, o marco legal da IA no Brasil, o PL 2.338/2023, aprovado no Senado em dezembro de 2024, segue em análise na Câmara dos Deputados, sem votação concluída até agora.

Como saber se um perfil é de uma pessoa real

Nem todo perfil falso vai trazer o selo. Então vale ter o seu próprio checklist:

  1. Procure o rótulo logo abaixo do nome ou na descrição do perfil (“Perfil gerado por IA”, “Gerado por IA”).
  2. Observe as fotos com calma: pele perfeita demais, fundos borrados ou “derretidos”, dedos, dentes, brincos e óculos com formatos estranhos.
  3. Compare as imagens entre si: o rosto muda levemente de um post para outro? Nunca aparece em vídeo espontâneo, com outras pessoas reais?
  4. Veja a idade da conta (em “Sobre esta conta”): perfil novo, com muitos seguidores de repente, merece atenção.
  5. Faça uma busca reversa da foto no Google Lens para ver se ela aparece em outros lugares com outro nome.
  6. Desconfie de pressa e de dinheiro: “médico” que vende remédio milagroso, “investidor” que promete lucro garantido ou “namorada virtual” que pede Pix são sinais clássicos de golpe.

Como mostramos na coluna Escudo Digital – Protegendo-se Contra Crimes e Fraudes Online, o golpista quase sempre combina urgência e emoção. A IA só deixou a isca mais bonita.

Onde denunciar

  • Na própria rede: use a opção “Denunciar” no perfil ou na publicação; perfis que fingem ser pessoas ou que aplicam golpes violam as regras das plataformas.
  • Propaganda eleitoral irregular: registre pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, ou procure o cartório eleitoral e o Ministério Público Eleitoral.
  • Se você perdeu dinheiro: avise o banco imediatamente, peça o bloqueio pelo Mecanismo Especial de Devolução do Pix (MED) e registre boletim de ocorrência, inclusive pela delegacia virtual da Polícia Civil do Acre.

Conclusão

A inteligência artificial ficou tão boa em imitar gente que as redes precisaram começar a dizer, com todas as letras, quando aquela pessoa não existe. O rótulo é um avanço importante, e as regras eleitorais deste ano mostram que a transparência virou obrigação, não gentileza. Mas a tecnologia de detecção sempre corre um passo atrás, e o melhor filtro continua sendo o leitor atento, que para, observa e desconfia antes de curtir, compartilhar ou pagar. Fiquem ligados no Portal Acre para mais novidades sobre inteligência artificial e segurança digital!

Robison Luiz Fernandes é Analista de Sistemas e colunista do Portal Acre.

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Robison Luiz Fernandes

Analista de Sistemas com DNA curitibano, coração cacoalense e alma rio-branquense, com mais de 18 anos como servidor e Analista de Sistemas no judiciário acreano. Apaixonado por tecnologia, compartilhando conhecimentos sobre inovações, tendências e novas tecnologias.

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