
A ocorrência do Caliothrips phaseoli, conhecido como tripes-da-soja, foi registrada pela primeira vez no Acre associada ao cultivo de soja. O registro foi feito pela Embrapa Acre em uma área agrícola de Rio Branco, durante a safra 2024/2025, segundo a Embrapa.
O inseto pertence à ordem Thysanoptera e à família Thripidae e passa a integrar o conjunto de organismos que exigem atenção dos produtores de soja no estado. De acordo com a publicação, a presença do tripes pode provocar redução no desenvolvimento da cultura e, em alguns casos, contribuir para a transmissão de viroses de importância agrícola.
Além da soja, o boletim aponta como hospedeiros encontrados no Acre o amendoim-forrageiro, a hortelã e o girassol, o que amplia a necessidade de observação nas áreas agrícolas onde essas culturas ou plantas estão presentes.
“A identificação em lavouras de soja demonstra a adaptação da espécie ao novo cenário agrícola do estado”, afirma o biólogo e doutor em Agronomia (Entomologia Agrícola), que também é pesquisador da Embrapa Acre, Rodrigo Souza Santos, em artigo publicado no mês passado.
Com a abertura da janela de semeadura da soja no Acre, em 21 de setembro, a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), menciona o problema em seu boletim técnico de acompanhamento mensal da safra de grãos, afirmando que o monitoramento do inseto deve ser iniciado desde os estágios iniciais da cultura, especialmente a partir das etapas V1/V2.
O tripes é um inseto muito pequeno e pode passar despercebido. Por isso, a recomendação é observar principalmente a face inferior das folhas e utilizar ferramentas que facilitem a identificação, como bandeja branca ou pano de batida, além de lupa de bolso com ampliação entre 10 e 20 vezes. Armadilhas adesivas azuis também podem auxiliar na detecção precoce.
As recomendações dizem ainda que a atenção deve ser redobrada em talhões de borda, áreas próximas a remanescentes florestais e durante períodos de veranico, especialmente porque condições secas e quentes podem favorecer surtos do inseto.
Entre os sinais que podem ajudar na identificação estão o prateamento ou bronzeamento das folhas acompanhado de pequenas pontuações escuras, relacionadas às fezes do inseto. O boletim alerta que esses sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional ou efeitos de fitotoxicidade.
Diante da nova janela de cultivo da soja no estado, que se estende até 8 de janeiro de 2027, além do monitoramento de pragas, os produtores devem observar as medidas fitossanitárias estabelecidas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) para a safra 2026/27.








