Rio Branco, 4 de outubro de 2026.

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Nenhuma mulher é eleita para Aleac e representação feminina cai de três cadeiras para zero

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) terá uma composição exclusivamente masculina a partir de 2027. Nenhuma mulher conseguiu se eleger deputada estadual nas eleições deste domingo, 4, e as 24 cadeiras do Legislativo acreano serão ocupadas por homens na próxima legislatura.

O resultado representa um recuo na presença feminina dentro da Casa. Na legislatura atual, três das 24 cadeiras são ocupadas por mulheres: Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil). Juntas, elas representam 12,5% do Parlamento estadual. As três disputaram a reeleição em 2026, mas não conseguiram renovar os mandatos.

A representação feminina, portanto, passa de três deputadas para nenhuma. Em 2022, Michelle Melo havia sido eleita com 5.990 votos, enquanto Maria Antônia conquistou 10.485 votos. Antonia Sales também garantiu uma das vagas naquele pleito com 5.720.

Embora as mulheres já fossem minoria na Aleac, o resultado de 2026 elimina completamente sua representação direta na próxima legislatura, que terá mandato entre 2027 e 2030.

Sub-representação não começou agora

A baixa presença feminina no Legislativo acreano não é uma realidade recente. Levantamento histórico sobre as eleições no Acre entre 1994 e 2022 mostra que a Aleac mantém um quadro persistente de sub-representação das mulheres.

O melhor desempenho feminino no período ocorreu nas eleições de 2006, quando cinco das 24 cadeiras foram conquistadas por mulheres. Desde então, a participação permaneceu abaixo desse patamar.

Agora, pela primeira vez em décadas, nem mesmo essa representação mínima estará presente.

Maioria nas urnas, minoria nos espaços de poder

O cenário acreano chama ainda mais atenção quando comparado à participação das mulheres como eleitoras.

Dados da Justiça Eleitoral mostram que elas representam quase 53% do eleitorado brasileiro. Em janeiro de 2026, eram mais de 82,5 milhões de mulheres aptas a votar no país. Apesar de serem maioria entre os eleitores, as mulheres ainda representam menos de 20% dos candidatos eleitos.

A ausência de mulheres na próxima composição da Aleac ocorre também em um momento no qual a Justiça Eleitoral tem ampliado as discussões sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres que decidem participar da política.

Entre essas barreiras está a violência política de gênero, caracterizada por ataques, constrangimentos e outras formas de violência direcionadas às mulheres no exercício ou na disputa de cargos públicos. A prática é crime desde 2021 e, para as eleições de 2026, a legislação eleitoral também proíbe a divulgação de conteúdo caracterizado como violência política contra a mulher.

Em setembro, o Tribunal Superior Eleitoral e a Procuradoria-Geral Eleitoral reforçaram medidas de prevenção e enfrentamento à violência política de gênero. Segundo o próprio TSE, esse tipo de violência também pode funcionar como fator de desestímulo à participação de novas mulheres na política.

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