
Uma tradição bem-humorada da política acreana ganhou uma nova edição após o primeiro turno das eleições de 2026. O cordelista Chico Gatão publicou a tradicional “Balsa”, composição em versos na qual reúne personagens da política que não conseguiram alcançar a vitória nas urnas.
Na “Balsa versão 2026”, Chico Gatão mistura humor, crítica política e reconhecimento às trajetórias dos candidatos. Logo no início, o autor brinca com a expectativa criada em torno da composição e afirma que, diante da quantidade de concorrentes, seria impossível incluir todos.
“Alguma vez quando esqueço de um figurão embarcar, vem logo a reclamação, isso não posso negar: o cara diz sem demora: ‘Você me deixou de fora, nessa balsa eu quero entrar’”, escreveu.
Ao longo dos versos, dezenas de candidatos são colocados simbolicamente na embarcação. Entre os nomes de maior projeção política citados pelo cordelista estão Jorge Viana, Gladson Cameli, Sérgio Petecão, Vagner Sales, Antônia Sales, Zezinho Barbary e Ney Amorim.
Jorge Viana, que disputou uma vaga ao Senado, ganha um trecho específico. Chico Gatão recorda as derrotas eleitorais anteriores do ex-governador e brinca sobre seu futuro na política.
“Terceira consecutiva que o povo lhe diz não. Afinal, o povo manda, como diz o Petecão. Será que ele ainda tenta ou quem sabe se aposenta amargando essa lição?”, diz um dos versos.
Petecão também aparece como passageiro. “Petecão também agora é um nauta do cruzeiro, pois sem votos lá da urna tem que cumprir o roteiro”, escreveu.
Ao citar Gladson Cameli, Chico Gatão adota um tom de reconhecimento à trajetória política do ex-governador e menciona a situação jurídica enfrentada por ele durante a disputa eleitoral.
“Contra tudo e contra todos, por espaço foi lutando. Como estava sub judice, fogo amigo tesourando, agora vai ter que ir: é o Gladson Cameli que por aqui vem chegando.”
A composição também reserva espaço para Antônia Sales. Apesar de colocá-la entre os nomes que embarcaram após o resultado das urnas, o autor destaca sua trajetória e atuação, especialmente na região do Juruá.
“Pelo meu entendimento, fica o reconhecimento a essa pequena gigante”, escreveu.
Além dos políticos, Chico Gatão transforma a embarcação em um verdadeiro “cruzeiro”, atribuindo funções aos passageiros. Há referências à saúde, segurança, comunicação, exames e até café durante a viagem, recurso usado pelo autor para incluir outros personagens da eleição de maneira descontraída.
Segundo turno também entra nos versos
A parte final da “Balsa” muda o foco dos candidatos derrotados e aborda a disputa pelo Governo do Acre. Chico Gatão relembra a polarização entre Mailza Assis e Alan Rick e as expectativas das duas campanhas antes da abertura das urnas.
O cordelista destaca que Mailza chegou perto de definir a eleição ainda no primeiro turno, mas a disputa acabou sendo prorrogada.
“Bem verdade seja dita, a Mailza tem vantagem, pois por pouco, muito pouco não se livra da viagem. O mês será dioturno, teremos segundo turno pra ver quem leva a vantagem”, escreveu.
Chico Gatão também cita Jéssica Sales e atribui à candidata a vice papel importante no desempenho da chapa governista na região do Juruá.
No encerramento, o autor deixa de lado as provocações e destaca que caberá novamente ao eleitor decidir quem comandará o Acre.
“Será no voto, de novo, outorgado pelo povo saberemos de uma vez. Sendo assim, vamos em frente aguardando a decisão. Um dos dois será vencido, só um vence a eleição”, conclui Chico Gatão.
A “Balsa” mantém uma tradição do cordelista de transformar os resultados eleitorais do Acre em versos, reunindo sátira, personagens conhecidos da política e referências aos principais acontecimentos da campanha.








