Rio Branco, 7 de outubro de 2026.

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“O Parlamento perde muito”, diz Manoel Moraes ao lamentar ausência de mulheres na próxima legislatura da Aleac

Deputado durante discurso na Aleac nesta quarta-feira – Foto cedida

O deputado estadual reeleito Manoel Moraes (PP) lamentou, nesta quarta-feira (7), a ausência de mulheres na composição da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) a partir de 2027. Em pronunciamento no plenário da Casa, o parlamentar chamou atenção para a não reeleição das três deputadas que atualmente integram o Legislativo estadual e afirmou que a perda da representação feminina prejudica o Parlamento.

“Todas excelentes parlamentares, todas com trabalho social muito forte. Com a medida muito forte de trabalho de entender a pobreza do nosso Estado. Então [sem] essas mulheres, nós perdemos muito. O Parlamento perde muito, fica muito ruim quando o Parlamento elege 24 homens em um estado de 52% de mulheres”, afirmou Moraes.

O resultado das eleições de 4 de outubro deixou as 24 cadeiras da próxima legislatura exclusivamente com homens. As atuais deputadas Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil) disputaram a reeleição, mas não conseguiram permanecer entre os eleitos. Nenhuma outra candidata conquistou uma das vagas.

Com isso, a participação feminina na Aleac, que atualmente corresponde a três das 24 cadeiras, ou 12,5% do Parlamento, cairá para zero a partir da posse da nova legislatura, em 2027. O Acre será o único estado brasileiro sem uma mulher entre os deputados estaduais.

A manifestação ocorreu dois dias depois da eleição que garantiu ao parlamentar a continuidade no Legislativo. Com 12.837 votos, Moraes foi o sexto deputado estadual mais votado do Acre e assegurou o quinto mandato consecutivo. No pronunciamento, ele também agradeceu aos eleitores que contribuíram para sua reeleição e destacou a votação obtida em Xapuri.

Acre na contramão do cenário nacional

A ausência de mulheres na Aleac ocorre em um cenário nacional de aumento da presença feminina nos Legislativos estaduais. Nas eleições de 2026, 218 mulheres foram eleitas para as Assembleias Legislativas dos estados e para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, de um total de 1.059 cadeiras — aproximadamente 20,6%.

O contraste é ainda mais evidente quando comparado ao Ceará, que terá 14 mulheres entre 46 deputados estaduais, o equivalente a 30,4% da Assembleia. São Paulo, por sua vez, elegeu 28 mulheres para sua Assembleia, o maior número absoluto do país.

No Acre, a eleição interrompe uma sequência de presença feminina que, embora numericamente pequena, estava representada na atual legislatura por três parlamentares.

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