
Pesquisa da Fecomércio-AC aponta que 63,5% dos consumidores pretendem presentear; 83,5% planejam gastar até R$ 200 e 60% dos empresários estão otimistas com as vendas
O Dia das Crianças de 2026 deve movimentar o comércio de Rio Branco, mas com um consumidor atento ao orçamento e concentrando suas compras em valores mais acessíveis. É o que aponta análise da Fecomércio-AC, que reuniu dados nacionais da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e duas pesquisas realizadas em parceria com a DataControl na capital acreana.
Entre os consumidores entrevistados em Rio Branco, 63,5% afirmaram que pretendem presentear no Dia das Crianças, enquanto 33,5% disseram que não e 3% ainda não haviam decidido.
O valor disponível para as compras é um dos principais destaques do levantamento. 83,5% das intenções de gasto estão concentradas em até R$ 200. Dentro desse grupo, 37% pretendem gastar entre R$ 51 e R$ 100, enquanto 33,9% indicam valores entre R$ 101 e R$ 200.
Do outro lado do balcão, a percepção dos empresários está bastante próxima da intenção declarada pelos consumidores: 86% dos comerciantes pesquisados esperam vendas individuais de até R$ 200. A diferença entre as duas perspectivas é de apenas 2,5 pontos percentuais.
Para o economista da Fecomércio-AC, William da Silva Pinto, essa convergência ajuda a identificar o perfil esperado das vendas neste ano.
“Os resultados mostram que existe disposição para consumir e expectativa positiva por parte dos empresários, mas dentro de um orçamento mais restrito por fatores como inadimplência elevada, juros altos e crédito mais restrito. Quando a maior parte dos consumidores pretende gastar até R$ 200 e os comerciantes esperam vendas nessa mesma faixa, temos uma sinalização importante de que o desempenho da data poderá depender do volume de compras de menor e médio valor, além de preços e promoções compatíveis com a realidade das famílias.”
Pagamento à vista predomina
Outro sinal de cautela está na forma de pagamento. Entre os consumidores consultados, 79,5% pretendem pagar à vista, contra 20,5% que indicaram parcelamento. A análise econômica da Fecomércio-AC aponta que esse comportamento é compatível com um ambiente de crédito mais caro e maior necessidade de controle do orçamento doméstico.
Entre aqueles que não pretendem presentear, 36,7% apontaram a falta de dinheiro como principal motivo, enquanto 12,7% citaram o desemprego. Outros 29,1% disseram não ter filhos.
Brinquedos aparecem como principal escolha entre os consumidores que pretendem presentear, com 46,9% das respostas, seguidos por roupas, com 36,7%. A preferência local acompanha os segmentos que também devem se destacar nacionalmente.
Empresários acreanos estão otimistas
A pesquisa com o comércio mostra que 60% dos empresários estão otimistas com as vendas do Dia das Crianças, 27% esperam movimento dentro da normalidade e 13% estão apreensivos.
Apesar do cenário positivo, a expectativa ainda não se traduz em crescimento da mão de obra para a data. Apenas 19% dos estabelecimentos indicaram decisão de contratar trabalhadores temporários, enquanto 81% não pretendem abrir vagas especificamente para a data.
Na avaliação institucional da Fecomércio-AC, o cenário reforça a importância das datas comemorativas para o varejo e, ao mesmo tempo, a necessidade de adaptação das empresas ao comportamento atual do consumidor.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC), Leandro Domingos, destaca que as datas comemorativas representam importantes oportunidades para o fortalecimento do comércio e ressalta a necessidade de os empresários acompanharem as mudanças no comportamento dos consumidores, especialmente diante de um cenário de maior cautela com os gastos.
“As datas comemorativas desempenham um papel estratégico na dinâmica do comércio, pois estimulam o consumo, fortalecem a circulação de recursos na economia e representam oportunidades importantes para os empreendedores. O Dia das Crianças, em particular, possui um significado especial, por reunir o valor afetivo da celebração ao potencial de movimentação do varejo. Entretanto, é fundamental compreender que estamos diante de um consumidor cada vez mais criterioso, que busca conciliar o desejo de presentear com a responsabilidade de preservar o equilíbrio do orçamento familiar. Nesse contexto, a capacidade de adaptação das empresas será determinante. Oferecer preços competitivos, condições acessíveis de pagamento e alternativas que atendam aos diferentes perfis de renda não é apenas uma estratégia comercial, mas uma demonstração de sensibilidade à realidade econômica da população. Acreditamos na força do comércio acreano e na capacidade dos nossos empresários de transformar os desafios do atual cenário em oportunidades de crescimento, contribuindo para o fortalecimento da atividade econômica e para a geração de emprego e renda em nosso estado”, concluiu Leandro Domingos.
Redes sociais ajudam a atrair os consumidores
A preparação do comércio também aparece na pesquisa. 77% dos estabelecimentos afirmaram que costumam se preparar para datas festivas por meio da divulgação de produtos e ofertas. Para o Dia das Crianças, 43% mencionaram a prospecção de clientes pelas redes sociais como estratégia para ampliar as vendas, enquanto 36% citaram ações de marketing dos produtos.
Ao mesmo tempo, o comércio físico permanece relevante: 64,3% dos consumidores apontaram as lojas do centro de Rio Branco como provável local das compras, seguidas pelo shopping, com 18,6%, e lojas de bairro, com 10,7%.
Cenário nacional também é positivo
No Brasil, a CNC estima que o Dia das Crianças movimente R$ 9,27 bilhões em 2026, crescimento de 1,8% em relação a 2025. A projeção ocorre, contudo, em um cenário no qual os produtos e serviços associados à data estão mais caros. A cesta analisada pela CNC apresenta aumento estimado de 6,7% frente ao ano passado.
A leitura conjunta dos levantamentos aponta, portanto, para uma data com potencial positivo para o comércio, mas sustentada principalmente por compras de baixo e médio valor. O desempenho efetivo dependerá da capacidade das empresas de adequar preços, estoque, promoções e comunicação ao orçamento disponível das famílias.








