Rio Branco, 13 de outubro de 2026.

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Acre chega a 86 mil hectares queimados, e previsão de calor acima da média para último trimestre do ano

Aumento foi de mais de 100% em pouco mais de um mês – Foto reprodução

O Acre acumulou 86.304 hectares de áreas atingidas por queimadas até 5 de outubro de 2026, segundo a última atualização do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac), divulgada em 9 de outubro. O acumulado até 15 de setembro era de 41.963 hectares. A diferença é de 44.341 hectares, o que representa um aumento de aproximadamente 106% entre as duas medições.

O levantamento, elaborado pelo Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (LabGAMA), identifica as chamadas cicatrizes de queimadas por meio de imagens dos satélites Landsat 8 e Sentinel-2. O mapeamento permite dimensionar a extensão das áreas atingidas pelo fogo em hectares e observar sua distribuição entre os municípios e as diferentes categorias fundiárias do estado.

Feijó lidera o levantamento, respondendo por 21,5% de toda a área queimada identificada no Acre até 5 de outubro. Na sequência aparecem Tarauacá, com 15,5%; Sena Madureira, com 10,7%; Rio Branco, com 10%; e Cruzeiro do Sul, com 6,7%.

Juntos, os cinco municípios concentram 64,4% da área atingida pelo fogo, evidenciando a distribuição desigual das queimadas pelo território acreano. Em termos proporcionais, Feijó responde sozinho por mais de um quinto do total mapeado.

O relatório também identificou uma área queimada individual de 261 hectares em Acrelândia, localizada em um imóvel rural certificado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Outro dado destacado pelo projeto é que 36% das áreas queimadas mapeadas têm menos de cinco hectares.

48% da área são terras públicas e imóveis rurais

A distribuição das queimadas por categoria fundiária mostra que 48% da área identificada está classificada como terras públicas e outros imóveis rurais. Projetos de assentamento respondem por 20%, enquanto unidades de conservação representam 19%.

Outros 10% estão em imóveis rurais certificados pelo Sistema Nacional de Certificação de Imóveis (SNCI), e 2% em terras indígenas, conforme os percentuais apresentados no boletim.

Calor e chuvas abaixo da média

Outro alerta do novo boletim está nas condições climáticas previstas para o trimestre de outubro, novembro e dezembro. De acordo com o projeto, os modelos analisados apontam temperaturas acima do normal em todo o Acre, enquanto a previsão de precipitação indica chuvas abaixo da média em grande parte do estado e da Região Norte.

O relatório reúne projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do IRI Climate Forecast e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Os mapas apresentados apontam para a continuidade de condições de calor elevado na região durante os próximos meses.

O projeto também chama atenção para os baixos níveis dos rios, mesmo após a ocorrência de chuvas em algumas áreas do Acre. A combinação entre temperaturas elevadas e períodos prolongados sem precipitação pode manter condições favoráveis à propagação do fogo.

Recomendações

O Projeto Acre Queimadas recomenda a manutenção das medidas de prevenção, especialmente diante da previsão de temperaturas superiores à média e da possibilidade de prolongamento da estiagem. Na avaliação apresentada pelos responsáveis pelo monitoramento, a possibilidade de extensão do período de estiagem até outubro ou novembro reforça a necessidade de manter os cuidados com o uso do fogo, reforçando a importância de evitar queimadas não autorizadas, redobrar a atenção durante o manejo do solo e comunicar às autoridades a identificação de incêndios. 

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