
A paisagem do Acre passou por mudanças significativas nas últimas quatro décadas. A vegetação nativa, que correspondia a aproximadamente 97% do território estadual em 1985, representava 84,2% em 2025. A diferença de 12,8 pontos percentuais aparece na Coleção 11 do MapBiomas (link no rodapé da matéria), levantamento que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil.
Os dados mostram a dimensão das transformações ocorridas entre 1985 e 2025 e ajudam a contextualizar a pressão sobre a floresta amazônica. Embora o Acre mantenha uma proporção expressiva de vegetação nativa, a comparação histórica indica que as áreas ocupadas por atividades humanas ganharam participação no território ao longo do período.
A série do MapBiomas permite acompanhar essa evolução ano a ano e distinguir diferentes categorias de cobertura e uso da terra, como vegetação nativa, pastagens, agricultura e áreas não vegetadas. A comparação entre os dois extremos da série, entretanto, não representa a taxa de desmatamento registrada apenas em 2025.
A transformação observada no Acre acompanha uma tendência nacional de redução da participação da vegetação nativa e expansão das atividades agropecuárias. No Brasil, a vegetação nativa passou de 79% do território em 1985 para 65% em 2025, segundo o levantamento.
No mesmo intervalo, as pastagens brasileiras aumentaram 61,6 milhões de hectares, enquanto as áreas agrícolas cresceram 48 milhões de hectares. Os números nacionais ajudam a dimensionar a expansão dos usos agropecuários, mas não devem ser interpretados como resultados específicos do Acre.
Para o estado, a identificação das áreas que passaram de vegetação nativa para pastagens ou agricultura exige a consulta aos dados detalhados de transição de uso da terra. Essa distinção é importante porque a redução da participação da vegetação nativa, isoladamente, não informa quanto foi convertido para cada atividade econômica.
Uma série histórica de 41 anos
A Coleção 11 do MapBiomas reúne informações de 1985 a 2025 e permite observar mudanças na cobertura do solo em diferentes escalas, dos biomas aos estados e municípios. O material foi elaborado a partir de imagens de satélite e de técnicas de classificação da cobertura e do uso da terra.
No conjunto do país, 285 milhões de hectares apresentaram mudanças na cobertura ou no uso da terra durante o período analisado, o equivalente a 33% do território brasileiro. O levantamento também identifica transições entre categorias, incluindo a conversão de vegetação nativa para áreas agropecuárias.
Fonte: MapBiomas, Coleção 11 — Mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil (1985–2025), versão de 12 de agosto de 2026.







