Rio Branco, 5 de novembro de 2026.

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Antônia Tavares apresenta “Caderno rosa” em programação dos 89 anos da Academia Acreana de Letras

Economista Antônia reúne 169 registros de sonhos anotados durante pesquisa sobre violência contra a mulher – Foto cedida

A escrita que nasce dos sonhos e encontra na literatura uma forma de expressão é o ponto de partida de Caderno rosa: 360 noites entre sonhos e insônias, de Antônia Tavares. O livro integra a programação de lançamentos desta quarta-feira, 4 de novembro, no Auditório Florentina Esteves, no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco. A atividade faz parte da 1ª Expofeira Cultural e Científica e das comemorações dos 89 anos da Academia Acreana de Letras (AAL), com a participação da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria Acre (AJEB Acre).

Entre a pesquisa e os sonhos

Economista e servidora do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Antônia reúne na publicação 169 sonhos e transes registrados em 2021. Naquele período, desenvolvia dois estudos sobre 50 feminicídios ocorridos no estado, experiência que atravessou sua percepção e passou a repercutir nas imagens que surgiam durante o sono.

Ao despertar, a autora anotava cenas, palavras e sensações em um caderno mantido ao lado da cama. Os registros se acumularam em 12 cadernos, somando mais de mil páginas. Desse material, selecionou os relatos que compõem o livro, organizado ao longo de um ano de trabalho. Entre os temas presentes estão medo, fuga, memória e sobrevivência, além de imagens de nascimento, transformação e renovação.

Escrita, memória e transformação

O título faz referência à cor dos cadernos utilizados para registrar os sonhos naquele ano. A obra aproxima experiências pessoais e profissionais e apresenta a escrita como um espaço de elaboração do vivido e de construção de uma linguagem própria. Dedicada às mulheres vítimas de feminicídio, também expressa o compromisso da autora com o direito à memória, à verdade e à justiça.

Embora a pesquisa sobre a violência contra as mulheres esteja na origem dos registros, Antônia situa os sonhos como matéria-prima de sua criação literária. Durante o lançamento, explicou que precisou de tempo para compreender as anotações e encontrar coragem para compartilhá-las, contando também com o incentivo de amigos para publicar o manuscrito.

“Escrever este livro me ressuscitou”, afirmou a escritora ao dimensionar o significado desse processo em sua trajetória. O lançamento em Rio Branco sucede a apresentação da obra na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro, com apoio da AJEB.

Uma trajetória dedicada ao universo feminino

A trajetória literária de Antônia teve início com Loucas e bruxas, bruxas e loucas: contos e poeminhas, lançado em junho de 2016, na Livraria Paim, em Rio Branco, pela Editora 3 Serpentes. A obra reúne 12 contos, 60 poemas e 52 ilustrações autorais e explora o universo feminino por meio de relações entre ciência, arte e espiritualidade. Nos contos, doze mulheres de diferentes contextos expressam saberes ancestrais e experiências próprias, em uma investigação literária sobre a subjetividade e a sabedoria das mulheres.

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