
Ação será realizada nesta sexta-feira, no município, e prevê a capacitação de profissionais, escuta de vítimas de tentativa de feminicídio e identificação de falhas nos serviços de atendimento
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero), realiza nesta sexta-feira (6) a oficina do Projeto Justiça de Gênero em Plácido de Castro. A atividade acontece das 8h às 12h, no auditório do MPAC no município, com o objetivo de fortalecer a rede de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
A iniciativa integra o projeto “Justiça de Gênero: O Direito à Informação Salva Vidas”, que busca ampliar a produção de informações sobre feminicídios no Acre, identificar dificuldades enfrentadas pelas vítimas no acesso à Justiça e contribuir para o aprimoramento das políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
A programação em Plácido de Castro inclui a escuta ativa de cinco mulheres vítimas de tentativa de feminicídio e ações de sensibilização e capacitação de profissionais que atuam na rede de proteção. A proposta é compreender o histórico de violência vivenciado pelas vítimas, identificar possíveis falhas no atendimento institucional e construir estratégias para melhorar o acolhimento, a proteção e o acompanhamento dessas mulheres.
A atuação do projeto ocorre em um contexto de preocupação com os indicadores de violência contra a mulher. Segundo dados apresentados pelo Observatório de Violência de Gênero do MPAC, o Acre registrou 14 feminicídios em 2025, voltando a ocupar a primeira posição no ranking nacional proporcional desse tipo de crime.
Em 2026, o estado já contabilizou três ocorrências de feminicídio, conforme o levantamento apresentado pelo observatório.
No cenário nacional, o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica. O levantamento também registrou 4.189 tentativas de feminicídio no país, crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Os dados reforçam a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção, ampliar o acesso aos serviços de proteção e garantir respostas institucionais mais eficazes às mulheres em situação de violência.
Em Plácido de Castro, a escolha do município para receber o projeto considera indicadores locais de violência. De acordo com dados do Observatório de Análise Criminal do MPAC, entre junho de 2025 e maio de 2026, o município ocupou a 15ª posição no ranking estadual de violência doméstica contra mulheres, com taxa média de 9,1 por mil habitantes femininas. No mesmo período, a taxa de violência sexual foi de 1,64 por mil habitantes.
A partir desse cenário, o projeto pretende ouvir diretamente as mulheres que sobreviveram a tentativas de feminicídio, colocando suas experiências no centro da análise. As entrevistas serão realizadas mediante consentimento, com registro sigiloso das informações e atenção às particularidades de cada caso.
Além da escuta, a oficina reunirá profissionais e representantes de instituições que integram a rede de atendimento, incluindo áreas da assistência social, saúde, segurança pública e sistema de Justiça. A formação abordará a aplicação da Lei Maria da Penha, o atendimento humanizado e a incorporação da perspectiva de gênero nos serviços prestados às vítimas.
A atividade também será um espaço para troca de experiências, identificação de dificuldades e construção de estratégias para melhorar a articulação entre os órgãos municipais. Entre os resultados esperados estão o aprimoramento dos fluxos de atendimento, a ampliação dos encaminhamentos e o fortalecimento dos mecanismos de prevenção e proteção.
O Projeto Justiça de Gênero integra o Plano Operacional de Atuação (POA) 2026-2027 do OBSGênero e está alinhado às diretrizes do Plano Geral de Atuação do MPAC para o mesmo biênio. Além de Plácido de Castro, a iniciativa prevê ações nos municípios de Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Sena Madureira, Brasiléia, Capixaba e Rio Branco.
O trabalho também prevê a distribuição de materiais informativos sobre os direitos das mulheres, os serviços disponíveis na rede de atendimento e os canais de denúncia. Outra ferramenta que será difundida é o Feminicidômetro, plataforma do MPAC que permite acompanhar e dar transparência às informações sobre processos relacionados a feminicídios tentados e consumados no Acre.
Com a iniciativa, o MPAC busca ampliar o conhecimento sobre a realidade das mulheres vítimas de violência, fortalecer a atuação integrada das instituições e contribuir para que mais mulheres tenham acesso à informação, ao acolhimento e aos mecanismos de proteção.
Com informações do MPAC.








