
Familiares do advogado e procurador municipal Francisco Valadares Neto, investigado por suspeita de envolvimento na morte da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, estão avaliando a possibilidade de transferi-lo para uma unidade hospitalar em São Paulo. O servidor permanece internado em estado grave no Pronto-Socorro de Rio Branco, após ter sido encontrado inconsciente em sua residência, no município de Brasiléia.
A informação foi inicialmente divulgada pelo ac24horas e confirmada pela reportagem do Portal Acre.
A família busca alternativas para garantir a continuidade do tratamento médico fora do Acre. Entre as possibilidades consideradas está a utilização de transporte aeromédico, que dependeria de autorização da equipe responsável pelo acompanhamento clínico do paciente.
O planejamento inclui um possível deslocamento de helicóptero entre o Pronto-Socorro e o Aeroporto Internacional de Rio Branco. Posteriormente, o procurador seguiria em uma aeronave equipada com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até a capital paulista.
Também surgiram questionamentos sobre o tratamento dispensado ao investigado durante a internação, incluindo possíveis restrições à divulgação de informações sobre seu estado de saúde. Entretanto, não há confirmação oficial de eventual interferência externa nas decisões administrativas ou médicas da unidade hospitalar.
Investigação e internação
Francisco Valadares Neto passou a ser investigado após o assassinato de Elyne, ocorrido na noite de segunda-feira (2), em um estabelecimento comercial de Brasiléia, no interior do Acre.
Na terça-feira (3), policiais estiveram na residência do procurador para realizar diligências relacionadas ao caso. Como não obtiveram resposta, os agentes entraram no imóvel e encontraram o advogado desacordado.
No local, foram identificados indícios de uma possível intoxicação medicamentosa, além de uma carta que deverá ser considerada no contexto das investigações.
Após receber os primeiros atendimentos, Valadares foi encaminhado para Rio Branco, onde passou a receber cuidados intensivos. Conforme as informações disponíveis, ele permanece intubado, em estado grave, mas com estabilidade hemodinâmica.
A Justiça decretou a prisão preventiva do procurador, apontado pela investigação como suspeito de ter ordenado o assassinato. A condição clínica do investigado, no entanto, tem impedido o cumprimento da medida nos moldes habituais.
Médica possuía medidas protetivas
Antes de ser assassinada, Elyne havia obtido medidas protetivas de urgência contra o procurador, em razão de registros anteriores de ameaças e violência doméstica.
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, a médica chegou a utilizar um dispositivo de emergência conhecido como botão do pânico, após perceber uma situação que considerou suspeita nas proximidades do local onde estava.
Há relatos de possíveis problemas na comunicação entre os sistemas responsáveis pelo monitoramento da medida protetiva e os órgãos de segurança pública. As circunstâncias do acionamento e a eventual existência de falhas na resposta ao alerta ainda precisam ser esclarecidas.
A vítima foi atingida por disparos de arma de fogo e morreu no local. O assassinato provocou manifestações de pesar entre familiares, amigos e profissionais da saúde, especialmente entre colegas do Hospital Regional do Alto Acre, onde a médica atuava.
As investigações buscam esclarecer a participação de cada pessoa envolvida, incluindo a possível atuação de um mandante e de responsáveis pela execução do crime.
Enquanto isso, a eventual transferência hospitalar de Francisco Valadares Neto dependerá de avaliação médica e das providências legais aplicáveis à sua condição de investigado com prisão preventiva decretada.
O caso permanece sob investigação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos deverá ser estabelecida pela Justiça.








