Rio Branco, 16 de janeiro de 2026.

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Não é Burnout! É efeito colateral da convivência com o inútil corporativo – Por Lane Valle

Síndrome de Convivência com o Inútil Corporativo?

Existe um tipo de cansaço que o RH ainda não foi capaz de diagnosticar. Não é físico, nem mental, e muito menos emocional. É metafísico. É o esgotamento existencial que nasce quando você percebe que está cercado por pessoas que só estão ali para bater ponto — seres humanos cuja principal entrega é o registro biométrico diário.

Nos últimos anos, o termo “burnout” virou um diagnóstico quase universal para qualquer exaustão profissional. Mas, em muitos casos, o que chamamos de burnout não é um colapso do individual, é efeito colateral de trabalhar com gente que só bate ponto e drena a energia alheia.

Inclusive, esse fenômeno merece nome próprio: Síndrome de Convivência com o Inútil Corporativo (SCIC).

Porque não é o trabalho duro, nem a pressão por resultados, nem aquele cliente exigente. O que cansa realmente, causa frustração coletiva, desmotiva e dá vontade de sumir sem deixar rastros, é trabalhar lado a lado com gente que só ocupa cadeira. Aqueles que a empresa insiste em manter e, em muitos casos, ainda promove.

Enquanto isso, quem ainda produz se torna o reservatório da culpa coletiva. Se algo dá errado, é porque “faltou comunicação”. Se tudo dá certo, é mérito “da equipe”.

Portanto, nobres leitores, nem sempre é burnout. Às vezes é só o peso de carregar sozinho o trabalho de quem decidiu ser figurante da própria carreira. No fim, o problema não é trabalhar demais — é trabalhar cercado de quem não trabalha nada.
A empresa não quebra porque o inútil é persistente, e o competente ainda não desistiu.

Mas um dia, inevitavelmente, o último funcionário produtivo vai embora. E o inútil, pontual como sempre, vai continuar lá — marcando o ponto, tomando cafezinho com o chefe, e comemorando seus 10 anos de empresa.

Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.

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