
Uma réplica fiel da casa de Chico Mendes passou a integrar o cenário da COP30, em Belém. O Espaço Chico Mendes, criado em parceria entre o Comitê Chico Mendes e a Fundação Banco do Brasil, foi inaugurado na noite da última sexta-feira (7), no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado no bairro da Terra Firme, na periferia da capital paraense.
A abertura do espaço transformou-se em uma celebração da cultura amazônica e da trajetória do seringueiro, sindicalista e ambientalista acreano Francisco Alves Mendes Filho (1944–1988), um dos mais importantes líderes socioambientais do Brasil. O evento contou com apresentações artísticas conduzidas pelos povos da floresta, entre elas o Cortejo com Romualdo Freitas, que encarnou o lendário Mapinguari, e o Carimbó do Cuiapitinga, grupo cultural originário da Ilha do Marajó.
Em reportagem do site ambiental Amazônia Real, Ângela Mendes, filha do líder acreano, a ideia de criar um espaço permanente em homenagem ao pai surgiu assim que foi confirmada a realização da COP30 na Amazônia.
“Não pode ter uma COP30 sem falar de Chico Mendes, do seu legado, como o patrono do meio ambiente brasileiro, como herói brasileiro. Sem chances de ter uma COP aqui e a gente não trazer toda a grandiosidade do legado que ele deixa para a humanidade. Porque as reservas extrativistas são um legado para sempre. Isso foi o que nos motivou a estar presente”, disse.
A programação paralela do Comitê Chico Mendes durante a conferência inclui debates sobre as políticas socioambientais das comunidades extrativistas e ribeirinhas, além do lançamento do Plano Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). Até 21 de novembro, o local sediará atividades culturais, políticas e ambientais, com ampla participação de movimentos sociais.
A iniciativa conta com o apoio do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), da Fundação Banco do Brasil, do Memorial Chico Mendes, do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
“Para nós, fazia todo sentido convidar o CNS para ser parceiro, porque é quem cuida da política desses territórios. Quem acompanha a criação desses territórios. E, claro, que estando na Amazônia e falando do legado de Chico, o nosso tema principal, puxador desse nosso espaço, teria que ser reservas extrativistas como direito ao território, como direito à regularização fundiária, como justiça socioambiental para os povos”, completou Ângela.
Angélica Mendes, neta do seringueiro, ressaltou que o espaço reafirma o papel do avô como símbolo da conservação da floresta e inspiração para novas gerações.
“Chico Mendes é o patrono do meio ambiente do Brasil também. A gente tinha que se posicionar. Mesmo com toda a importância que ele tem, a gente ainda tem que estar reforçando quem que foi Chico Mendes, a importância dele para a conservação da Amazônia”, ressaltou.
Para ela, o local se consolida como um ponto de escuta e protagonismo dos povos da floresta.
“A gente traz esse espaço para que as pessoas que vão ficar de fora dessa COP possam ter um lugar de fala. Porque essas pessoas têm voz, mas muitas vezes não são escutadas. E aqui é esse espaço onde elas vão poder falar, onde vão poder ter protagonismo, protagonismo dos povos da floresta, que são quem trazem a verdadeira solução para esse território”.
O Espaço Chico Mendes pode ser visitado gratuitamente. Entre as atrações estão as exposições “Chico Mendes, Herói do Brasil” e “Memoráveis Margaridas”, que destacam a trajetória de mulheres defensoras ambientais e líderes comunitárias.
Com informações do site ambiental Amazônia Real.








