
O bom uso das cinco competências avaliativas na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vão desde o domínio da norma cultura da língua portuguesa até a elaboração de uma proposta de intervenção coesa com a temática proposta, são essenciais para a tão sonhada nota 1000. Mas além de aspectos técnicos, há algo que é considerado vital para uma boa média: o repertório sociocultural. Nos últimos anos, a presença do cinema como referência tem despertado a atenção do público que acompanha a avaliação.
Em 2020, o tema “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, levou inúmeros participantes a utilizarem o filme Coringa (2019), estrelado por Joaquin Phoenix, como repertório. Na trama do diretor Todd Philips, o personagem Arthur Fleck aparece como um cidadão renegado e inviabilizado por conta de sua condição mental, alvo de risos e da falta de uma estrutura governamental que ofereça meios eficazes de tratamento.
Cerca de 30 alunos alcançaram a média máxima na redação do Enem 2020. Entre eles, a estudante Julia Vieira, do Maranhão, que compartilhou o espelho da redação para a reportagem do g1. No trecho, Julia cita: “No filme estadunidense Coringa, o personagem principal, Arthur Fleck, sofre de um transtorno mental que o faz ter episódios de riso exagerado e descontrolado em público, motivo pelo qual é frequentemente atacado nas ruas. Em consonância com a realidade de Arthur, está a de muitos cidadãos, já que o estigma associado às doenças mentais na sociedade ainda configura um desafio a ser sanado”.
Em 2025, participantes usaram a rede social X (antigo Twitter), para compartilhar o uso do filme A Substância (2024), estrelado por Demi Moore e Margaret Qualley, para tratar o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A obra cinematográfica retrata o declínio de uma celebridade de meia-idade que decide utilizar uma substância misteriosa para ganhar uma versão mais jovem de si mesma, o que a colocaria de volta no cenário midiático.
Ao Portal Acre, a participante Rebeca Martins relata que utilizou o filme para falar sobre a inclusão de pessoas idosas no mercado de trabalho. “Eu usei o filme A Substância e contextualizei que a personagem principal perde a carreira por ter uma idade considerada ultrapassada para o mercado de trabalho, o que acontece na nossa realidade, então seria uma das perspectivas sobre o envelhecimento da população brasileira”.
Além disso, Rebeca Martins parafraseou o livro “Sociedade do Cansaço”, do escritor sul-coreano Byung-Chul Han, para complementar a argumentação. “Essa literatura traz as mudanças presentes nas relações em uma sociedade contemporânea, o que também engloba o trabalho, e vai abordar essa supervalorização do novo em detrimento do antigo”, pontuou.








