Rio Branco, 16 de janeiro de 2026.

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Resex Chico Mendes é a mais ameaçada e pressionada da Amazônia, alerta Imazon

A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, tornou-se o principal foco de desmatamento entre as Áreas Protegidas (APs) da Amazônia Legal no terceiro trimestre de 2025. O novo relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas: SAD de Julho a Setembro de 2025, publicado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), coloca a unidade no primeiro lugar em ambos os rankings de Ameaça e Pressão, revelando o avanço das invasões e da degradação ambiental no território.

Resex Chico Mendes tem sofrido com a degradação ambiental. Foto: Arquivo/Resex

O estudo, elaborado pelos pesquisadores Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr., mostra que a RESEX Chico Mendes registrou 60 células de ameaça (desmatamento até 10 km de seus limites) e 98 células de pressão (desmatamento dentro da área), mantendo-se no topo entre as unidades mais impactadas. Embora o desmatamento total na Amazônia tenha caído 45% em relação ao mesmo período de 2024, a reserva acreana segue sob forte pressão.

Desde o início de 2025, a RESEX — uma unidade de conservação federal criada para garantir o uso sustentável dos recursos por comunidades extrativistas — tem aparecido com destaque nos levantamentos do Imazon. No primeiro trimestre, ficou em sétimo lugar entre as mais ameaçadas. No segundo, subiu para a segunda posição e passou a figurar também entre as mais pressionadas. No terceiro trimestre, atingiu o primeiro lugar nas duas classificações, sinalizando uma escalada preocupante.

“Quando uma área protegida começa a aparecer com frequência nesses rankings, é um sinal claro de que o poder público precisa agir com urgência. Medidas rápidas de fiscalização e controle podem evitar que o desmatamento avance e impeça que essa área volte a encerrar o ano entre as mais impactadas”, afirma o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Além da Chico Mendes, o relatório aponta que o Pará e o Acre concentram o maior número de áreas protegidas sob risco ou já impactadas. O Pará teve cinco unidades entre as dez mais ameaçadas e cinco entre as dez mais pressionadas, enquanto o Acre registrou quatro em cada categoria, incluindo a RESEX Alto Juruá, a FES do Rio Gregório e a FES do Antimary.

Segundo os pesquisadores, o quadro é reflexo da expansão do desmatamento e das invasões em territórios protegidos, o que compromete não apenas a integridade ambiental, mas também a sobrevivência das populações tradicionais que vivem nessas áreas.

“Esses territórios desempenham um papel essencial na manutenção da biodiversidade e na proteção das populações tradicionais, mas vêm sendo alvo constante do avanço do desmatamento, o que compromete sua integridade e a efetividade das políticas de conservação”, afirma Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.

A especialista reforça que os resultados do estudo evidenciam a necessidade de ação coordenada entre governos federal e estaduais, com foco no fortalecimento das políticas ambientais e no apoio às comunidades locais.

“É essencial que as políticas públicas fortaleçam sua gestão e apoiem quem vive nesses lugares. Somente com investimento em monitoramento, regularização fundiária e alternativas econômicas sustentáveis, esses territórios protegidos vão passar a ser reconhecidos pelo valor que têm em manter a floresta em pé”, completa Bianca Santos.

Terras Indígenas sob pressão: Acre desponta entre as mais ameaçadas

O novo levantamento do Imazon mostra que Pará e Amazonas concentram as Terras Indígenas (TIs) mais afetadas pelo desmatamento na Amazônia Legal, tanto dentro quanto no entorno dos territórios.

Das dez Áreas Protegidas mais pressionadas — ou seja, com desmatamento dentro de seus limites — três são Terras Indígenas:

  • TI Andirá-Marau (AM/PA)
  • TI Cachoeira Seca do Iriri (PA)
  • TI Vale do Javari (AM)

Essas áreas refletem a expansão de atividades ilegais, como invasões e exploração de madeira, dentro de territórios que deveriam permanecer intocados.

Já entre as dez Áreas Protegidas mais ameaçadas — com desmatamento no entorno — três também são Terras Indígenas:

  • TI Kulina do Médio Juruá (AM/AC)
  • TI Arara (PA)
  • TI Trincheira/Bacajá (PA)

Os resultados colocam Pará e Amazonas como os estados com maior urgência na defesa de seus territórios indígenas, diante do avanço da derrubada florestal.

Outro destaque vem do Acre, que apresentou cinco Terras Indígenas entre as dez mais ameaçadas da Amazônia quando analisadas isoladamente — sem incluir Unidades de Conservação. São elas:

  • TI Kulina do Médio Juruá (AM/AC)
  • TI Kaxinawa Praia do Carapanã (AC)
  • TI Kaxinawa do Rio Humaitá (AC)
  • TI Alto Rio Purus (AC)
  • TI Arara/Igarapé Humaitá (AC)

A presença constante do Acre nos rankings reforça a vulnerabilidade dos territórios indígenas locais, que sofrem com o avanço do desmatamento e a falta de fiscalização efetiva. O relatório aponta a necessidade de ações integradas e urgentes para garantir a proteção dessas áreas fundamentais à preservação da floresta e à sobrevivência cultural de seus povos.

O relatório do Imazon é publicado trimestralmente e integra o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que monitora em tempo quase real as mudanças no uso da terra na Amazônia. A instituição promete lançar um relatório anual consolidando os dados de 2025, que devem confirmar a Resex Chico Mendes como um dos epicentros da pressão ambiental na Amazônia brasileira.

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