Rio Branco, 21 de maio de 2026.

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UFAC e MPAC lançam nova plataforma para monitoramento da qualidade do ar no Acre

Imagem da plataforma que permite acompanhar qualidade do ar em tempo real: Foto reprodução

A Universidade Federal do Acre (UFAC), Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, e o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAOP/MAPHU-MPAC), apresentaram a nova versão da plataforma Acre Qualidade do Ar, um sistema digital interativo que permite acompanhar em tempo real os níveis de poluição atmosférica nos municípios acreanos.

O projeto é conduzido pelo Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (LabGAMA-UFAC) e conta além da parceria do MPAC, com cooperação técnico-científica de instituições locais, nacionais e internacionais, sob liderança do professor Willian Flores.

A ferramenta reúne dados coletados por uma rede de sensores de baixo custo instalada em 2019 em todas as cidades do estado. As informações são organizadas em painéis interativos que permitem ao público geral, pesquisadores, gestores e profissionais da imprensa visualizar indicadores de material particulado e a classificação da qualidade do ar em diferentes recortes temporais.

Segundo o professor Willian Flores, o monitoramento contínuo é essencial para compreender o agravamento da poluição atmosférica durante a estação seca, quando queimadas elevam significativamente os níveis de material particulado.

“Ainda há lacunas sobre a intensidade desses episódios e sobre os impactos da exposição prolongada aos poluentes para a saúde da população amazônica”, ele ressalta.

O promotor de justiça Luis Rolim, responsável pelo projeto no MPAC, destaca que o avanço alcançado é resultado da cooperação entre a universidade e o poder público.

“A iniciativa teve origem no trabalho conjunto da Procuradora de Justiça Rita de Cássia com docentes da UFAC, consolidando-se como um marco nacional no monitoramento ambiental”, explica.

Referências

O dado de referência para definir a qualidade do ar utilizado na plataforma é PM2.5, que indica material particulado fino em suspensão no ar com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros. O valor de referência considerado para termos boa qualidade do ar é de 15 µg/m3 na média diária. Este é o limite máximo recomendado pela OMS — Organização Mundial da Saúde.

Experiência pioneira

Com esse sistema, o Acre tornou-se o primeiro estado brasileiro a monitorar 100% de seus municípios com sensores de baixo custo, oferecendo dados em tempo real e de acesso público. O pioneirismo transformou a experiência local em referência para outras iniciativas de monitoramento na Amazônia Legal, desenvolvidas por órgãos governamentais e organizações da sociedade civil.

Desenvolvida com infraestrutura tecnológica atualizada, a nova versão da plataforma utiliza banco de dados PostgreSQL, rotinas automatizadas em Python e visualização web baseada em frameworks modernos. O sistema também executa processos de correção e validação das informações, aumentando a confiabilidade dos registros disponibilizados.

Destaques da nova plataforma:

·        Rede de sensores distribuída nos municípios do Acre;

·        Dados abertos com atualização em tempo real;

·        Painéis interativos e mapas dinâmicos;

·        Ferramenta de apoio à pesquisa, gestão ambiental e formulação de políticas públicas.

Situação da qualidade do ar no Acre em 2024

Dados da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar indicam que 2024 registrou os piores índices desde 2019, com concentrações de poluentes 12 vezes acima do nível considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Agosto e setembro foram novamente identificados como os períodos de maior deterioração da qualidade do ar no estado. Em média, o Acre enfrentou 36 dias no ano com níveis de poluição acima do recomendado pela OMS.

Sena Madureira, Rio Branco, Jordão, Assis Brasil e Brasiléia ultrapassaram 70 dias em 2024 com a qualidade do ar fora dos padrões seguros estabelecidos pela OMS.

Equipe envolvida no projeto

Além de Willian Flores e Luis Rolim, a equipe envolvida na iniciativa ainda inclui os pesquisadores Sonaira Silva, Liana Anderson, Foster Brown e Alejandro Duarte, a procuradora de justiça Rita de Cássia Lima e o analista ministerial Paulo Henrique Souza.

Eles ressaltam que a Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar no Acre é um importante instrumento de informação para a sociedade acreana, mas que necessita de apoio constante para se manter operacional.  

A plataforma pode ser acessada gratuitamente em: https://acre.qualidadedoar.net.br/

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