Rio Branco, 24 de janeiro de 2026.

CASA CIVIL DIA 24

“Anjos” humanos que salvam: Médico do Samu conta experiências marcantes de quem trabalha no limite entre a vida e a morte

Médico do Samu durante atendimento de socorro na capital acreana – Foto: acervo pessoal

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é uma das principais portas de socorro da população brasileira em situações críticas de saúde. Por meio do número 192, de forma totalmente gratuita e disponível 24 horas por dia, o serviço oferece atendimento imediato a vítimas de acidentes de trânsito, infarto, AVC, traumas e demais emergências médicas de urgência e emergência que acontecem diariamente.

Diante da importância e o reconhecimento de quem se decida a salvar vidas, a reportagem do Portal Acre conversou com o médico Manoel Neto, profissional atuante no SAMU, que compartilhou relatos que mais o marcaram ao longo de sua jornada na atividade em que o atendimento é necessário que seja preciso, já que ocorre em um período crítica para a saúde do paciente.

Segundo o médico, as ocorrências envolvendo crianças são, sem dúvida, as que mais o emocionam.

“Criança é sempre desafiador, porque cada uma é diferente, tem um jeitinho. Às vezes apresenta uma doença cardíaca, pulmonar, ou simplesmente sofreu um trauma inesperado. Tudo exige cuidado dobrado”, destaca.

A criança que voltou à vida

“Atendimento de criança é o que mais mexe com a gente, é sempre tocante”, diz médico – Foto: acervo pessoal

Uma das ocorrências mais marcantes para o Dr. Manoel Neto envolveu o afogamento de um garoto de seis anos.

“Recebemos uma solicitação de uma criança que havia se afogado em um açude, em uma chácara no Panorama. Ela estava de férias com os avós. Após o almoço, todos dormiram e, quando perceberam, a criança não estava mais. Foram procurá-la e encontraram-na no açude, já sem sinais vitais”, relembra.

A família ligou imediatamente para o SAMU e, enquanto a equipe se deslocava, recebeu orientações dos médicos reguladores.

“Eles iniciaram compressões e, quando chegamos, a criança já tinha voltado. Estava muito agitada, com muita secreção na boca, mas conseguimos estabilizá-la. Foi uma ocorrência desafiadora, mas quatro dias depois soubemos que estava bem. Após uma semana, teve alta da enfermaria”, conta emocionado.

O médico revela que salvar a vida da criança é emocioante.

“Era uma criança que já estava afogada há algum tempo, e conseguimos recuperá-la. Isso mexe com a gente.”

A luta pela vida de um bebê indígena

Atendimentno de criança indígena foi desafiador pelas condições clínicas que exigiram perícia da equipe de socorro – Foto: acervo pessoal

Outro episódio que marcou a equipe aconteceu recentemente, envolvendo um bebê indígena prematuro, de apenas 28 semanas, transferido de Manoel Urbano para Rio Branco.

“Foi muito difícil. O bebê não tinha maturidade pulmonar suficiente para ventilar. Entramos em contato com neonatologistas e estabilizamos como possível”, relata.

Por ser prematuro extremo, qualquer mínimo movimento poderia afetar o quadro clínico. Durante a viagem, o calor da ambulância teve que ser mantido, mesmo com o desconforto, para preservar a temperatura corporal do bebê.

“Em uma das trepidações, o tubo saiu e precisamos entubá-lo novamente no meio da estrada. Foi uma pressão enorme. Mas conseguimos trazê-lo vivo, graças a Deus”, descreve.

Participaram da ocorrência o médico Manoel Neto, a enfermeira Thays Vasconcelos e o condutor Averaldo Azevedo.

Equipe que trabalhou no resgaste que garantiu que a criança chegasse com vida ao Pronto-Socorro – Foto: acervo pessoal

“Viemos devagar, parando várias vezes. Foi um trabalho totalmente em equipe. Cada um fez parte fundamental para manter o bebê vivo.”

Compromisso com vidas

Ao final do relato, o médico destaca o sentimento de missão: “Deus ilumina e nos capacita. Trabalhamos com seriedade, dedicação e estudo constante. Poder devolver uma vida aos pais, dar outra chance a alguém, é algo que não tem preço.”

Histórias como essas revelam que, por trás de sirenes e uniformes, existem profissionais altamente qualificados, movidos por empatia, coragem e amor ao próximo.

Por isso, fica um alerta importante: chamadas falsas prejudicam o atendimento e podem significar uma vida que deixa de ser salva.

O SAMU é um patrimônio da sociedade. Respeite, colabore e valorize os profissionais que fazem da urgência um ato de humanidade.

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