
Após mais de 12 horas de julgamento, o Tribunal do Júri da Comarca de Xapuri condenou, na noite desta sexta-feira (12), Benigno Queiroz Sales e Risonete Borges Monteiro pelo assassinato do colono Francisco Campos Barbosa, conhecido como “Chico Abreu”. O crime, ocorrido em novembro de 2022 na zona rural do município, teve grande repercussão e mobilizou a comunidade local.
O júri reconheceu que o homicídio foi cometido com duas qualificadoras: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Risonete Borges Monteiro, apontada como mandante do crime, foi condenada a 25 anos de reclusão em regime fechado. Já Benigno Queiroz Sales, identificado como executor, recebeu pena de 29 anos de prisão, também em regime fechado, incluindo condenações por dois crimes de furto cometidos durante a fuga após o assassinato.
A sentença foi proferida pelo juiz Luís Gustavo Alcalde Pinto, que presidiu a sessão no Fórum de Xapuri. O plenário permaneceu lotado durante todo o julgamento, com a presença de familiares da vítima, que acompanharam atentamente os debates usando camisetas com pedidos de justiça.
De acordo com a investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Chico Abreu foi morto dentro de sua propriedade, na colocação Vista Alegre, no seringal Cachoeira, área limítrofe entre Xapuri e Epitaciolândia. O corpo foi encontrado dois dias após o crime, apresentando sinais de enforcamento e perfuração por disparo de arma de fogo. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a morte foi causada por tiro de espingarda, além de asfixia.

Durante o julgamento, Benigno confessou ter matado a vítima, mas negou que tenha agido a mando de Risonete ou que houvesse acordo para dividir a quantia de R$ 16 mil, valor que a vítima supostamente guardava em casa. Apesar da versão apresentada pela defesa, os jurados entenderam que houve conluio entre os réus para a execução do crime. A mulher sempre negou a autoria.
Segundo o MPAC, Risonete planejou a morte do companheiro, com quem viveu por cerca de 12 anos, motivada por interesses financeiros. Benigno, que trabalhava como diarista e caseiro da vítima havia cerca de um mês, teria sido contratado para executar o homicídio. As investigações também apontaram que o crime foi cometido mediante promessa de recompensa, uma das circunstâncias mais graves previstas na legislação penal.
A defesa de Benigno Queiroz Sales foi conduzida pelos advogados Luiz Henrique Fernandes Suarez e Paula Victória Pontes Belmino, que atuaram durante a fase processual e no plenário do júri. Já Risonete Borges Monteiro contou, ao longo do processo, com a atuação das defensoras públicas Aline Cristina Lopes da Silva e Morgana Rosa Leite Gurjão. A defesa no julgamento ficou a cargo da segunda.

Com a decisão, a Justiça de Xapuri encerra um dos casos criminais de maior repercussão recente no interior do Acre, marcado por violência, traição familiar e forte comoção social.








