Rio Branco, 18 de janeiro de 2026.

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Chuva causa alagamentos em bairros da parte alta de Rio Branco; Moradoras denunciam falta de limpeza em córregos

Casas ficaram alagadas devido aos córregos próximos das propriedades. Foto: Cedida

As fortes chuvas registradas neste sábado, 6, ocasionaram diversos transtornos para a população da capital acreana. A casa de Dilmara Silva Costa, no bairro Alto Alegre, e a da Maria da Conceição Sombra Ferreira, no bairro Tancredo Neves, foram afetadas pelas águas e ficaram alagadas devido aos córregos próximos das propriedades.

Segundo Dilmara, que mora há cerca de sete anos na região, o córrego que fica próximo a sua casa deveria ser limpo, pelo menos, duas vezes no ano pela Prefeitura. Contudo, neste ano não foi realizada essa limpeza.

“Tem um córrego que passa ao lado de casa e é para, pelo menos, duas vezes no ano, a Prefeitura fazer a limpeza de roçagem e a limpeza de abertura do córrego. E esse ano não aconteceu essa limpeza. Quando essa limpeza não ocorre, o córrego acaba se estreitando e quando começa a chover muito forte, onde a água sobe, ele transborda e alaga os quintais mais baixos. E quando ele sobe muito mesmo, como foi hoje, a água acaba entrando dentro de casa”, afirma a moradora.

De acordo com ela, por volta das 13h30 a água começou a entrar em sua casa. “Esse ano não tinha acontecido ainda. E quando não acontece no início do ano, acontece no final do ano, infelizmente. Quando vem uma chuva muito forte, acontece isso”, detalha.

Dilmara acrescenta ainda que o lixo jogado no córrego também é um grave problema.

“Como não está tendo a limpeza e como a água vem de muito longe, quando vem descendo, ela traz bastante lixo, porque tem muitos moradores, infelizmente, que acabam jogando lixo dentro. E aqui, quando começa a chover, o que mais desce é lixo e quando chega já é na entrada. A água passa por debaixo da estrada de Porto Acre e quando chega no córrego, se tiver muito lixo, não tem como descer e acaba entrando nos quintais e dentro das casas, infelizmente”, complementa.

Conforme a moradora, nenhum móvel foi perdido. Entretanto, por saber que todos os anos acontece esse tipo de situação, ela não possui alguns móveis para evitar o risco da perda.

“Não perdi nada porque meu marido tinha vindo almoçar em casa e deu tempo de subirmos o que tinha que subir. Mas, assim, no caso eu não tenho guarda-roupa e nem sofá, porque sempre ficamos com receio se a água vai ou não entrar dentro de casa. Então, a gente não pode ter essas coisas”, diz.

Dilmara afirma também que os moradores não recebem nenhum tipo de assistência do Poder Executivo.

“Não temos assistência da Prefeitura. Infelizmente aqui. A nossa única preocupação mesmo foi que eles não vêm fazer a limpeza do córrego. Não sei nem se sabem, porque eles têm um calendário de limpeza e quando eles vêm para essa região, talvez digam que fazem a limpeza, mas infelizmente não fazem, porque a última vez que vieram, se eu não me engano, acho que foi em fevereiro ou foi em março, e não fizeram a limpeza e a roçagem toda, fizeram só até uma parte e já foram embora, só isso, não voltaram mais. E todo ano ficamos na expectativa deles virem fazer a limpeza da roçagem, fazer a limpeza do córrego, que é a máquina, pelo menos nas manilhas e, infelizmente, não vieram fazer essa limpeza”, descreve.

Para a moradora, a preocupação com seus filhos também é grande. “Eu sou dona de casa, fico em casa com as crianças. Ontem, elas não foram para a escola porque choveu no horário deles irem para a escola e o quintal estava alagado e nenhum deles foi para a escola. Mas, conseguimos subir tudo que precisava e deixamos as crianças numa cadeira para não se molharem”, afirma.

Móveis de Maria da Conceição foram atingidos pela água. Foto: Reprodução

Já Maria da Conceição teve alguns dos seus móveis molhados pela água que também entrou dentro da sua casa. Moradora do bairro Tancredo Neves há mais de 40 anos, ela compartilha que toda vez que chove acontece isso.

“É um esgoto que passa aqui atrás da nossa casa e alaga tudo. Toda vez que dá uma chuvinha, alaga tudo. Todo ano é isso. Quero ver agora como começar a chuva, que vai viver alagado”, comenta.

A moradora teve seu sofá e geladeira atingidos pela água. Além disso, a preocupação se torna maior devido a segurança dos seus filhos, um de 6 e outro de 14 anos.

Segundo ela, nunca foi feito nada para resolver a situação na região. “Nós já reclamamos, mas nunca foi feito nada. Todo ano é essa mesma coisa. E tem pessoas que perdem tudo dentro de casa, porque quando sobe é de uma vez, aqui não córrego. Não tem como vivermos na alagação desse jeito”, defende.

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