O Natal se aproxima como uma das datas mais simbólicas do calendário mundial. De forte expressão religiosa, a celebração do nascimento de Jesus Cristo foi se transformando ao longo do tempo e, hoje, divide espaço entre a espiritualidade e o apelo comercial. Para compreender o verdadeiro significado do Natal sob diferentes olhares, nossa reportagem conversou com líderes religiosos de distintas tradições.
Igreja Católica: partilha, respeito e cuidado com o próximo

Para o padre Mássimo Lombardi, um dos mais respeitados líderes da Igreja Católica no Acre, o Natal começa quando há respeito, diálogo e amor entre as diferenças.
“Eu já comecei a viver o Natal quando nos reunimos com católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, daimistas. Quando há diálogo e empatia, aí está o verdadeiro Natal do Senhor”, destacou.
O sacerdote reforça que, para a Igreja Católica, o Natal deve priorizar os mais vulneráveis:
“Queremos viver o Natal olhando primeiro para os excluídos, os doentes, os desempregados, os jovens, os encarcerados. O Natal não fecha os olhos para a dor, mas se aproxima e cuida”.
Padre Mássimo também enfatiza que o verdadeiro sentido do Natal está na partilha e não no consumo.
“Viver o Natal é deixar Cristo nascer de novo em nossas atitudes, todos os dias”, concluiu.
Umbanda: amor, caridade e renovação espiritual
Na Umbanda, religião de matriz africana, o Natal é celebrado como um momento de profunda reflexão espiritual. O sacerdote Pai Felipe de Xangô, responsável pela Tenda Umbandista Pai Joaquim de Angola, explica que a data representa a celebração do nascimento de Jesus Cristo como um espírito de luz e evolução.
“A Umbanda é a prática da fé, do amor, da simplicidade e da caridade. No Natal, celebramos o nascimento de Jesus Cristo como um espírito de luz e evolução, honrando seu exemplo de amor, caridade e perdão, sincretizado com Oxalá”, destacou o sacerdote.

Segundo Pai Felipe, o período é marcado pela renovação, gratidão e fortalecimento da fé, sempre com foco no bem ao próximo e na união familiar. Diferente das tradições católicas, a Umbanda realiza oferendas a Oxalá, com mesas ornamentadas com frutas e partilha de alimentos como forma de solidariedade.
“Realizamos oferendas a Oxalá. Nada muito diferente do que fazemos o ano todo, porque Umbanda é isso, amor e caridade”, pontuou.
Igreja Evangélica: Jesus como o verdadeiro presente
Para o pastor Zacarias, da Igreja Batista, o Natal deve ser compreendido exclusivamente como a celebração do nascimento de Jesus Cristo, longe do consumismo que, segundo ele, tomou conta da data.
“O Natal não é tempo de presentes, festas ou consumo. É a celebração do menino que nos nasceu, do filho que nos foi dado para iluminar os caminhos da humanidade”, afirmou o pastor, citando o profeta Isaías.
Zacarias critica o que chama de “substituição espiritual” da data:
“O Papai Noel tomou o lugar do Papai do Céu. O presente que era Jesus hoje virou um peru ou um chester. O verdadeiro Natal é Cristo nascendo no coração das pessoas”.

Segundo o pastor, pouco importa a data exata do nascimento de Jesus; o essencial é permitir que Ele transforme a vida de quem crê.
Reflexão final
Diante de tantas visões, o Natal se revela muito mais do que uma data no calendário. Independentemente da religião, ou mesmo da ausência dela, fica a reflexão. Como você tem vivido o Natal? Pelo consumo, pela rotina, ou pelo amor, partilha e solidariedade?
Que este seja um tempo de reflexão, respeito e esperança.
Feliz Natal.








