Rio Branco, 12 de maio de 2026.

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Associação de Delegados detona juiz aposentado que divulgou operação em live: “não é informação, é colocar um alvo nas costas de quem combate o crime organizado”

Mileny Andrade (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró

A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Acre (Adepol/AC) divulgou, nesta terça-feira, 13, uma nota de repúdio contra a divulgação de placas de viaturas descaracterizadas e da identificação visual de policiais e delegados em redes sociais.

No documento, a entidade manifesta repúdio à veiculação de um vídeo publicado no Instagram por Edinaldo Muniz, juiz de direito aposentado. Segundo a Adepol/AC, o conteúdo expõe placas de veículos utilizados em investigações e rostos de policiais e delegados que atuam em operações de segurança pública, sem autorização e em desacordo com protocolos mínimos de proteção operacional.

A associação afirma que esse tipo de divulgação não pode ser tratada como informação, pois coloca em risco a integridade dos agentes de segurança e compromete investigações em andamento, especialmente no combate ao crime organizado. A nota destaca que organizações criminosas têm histórico de retaliações e capacidade de identificar, monitorar e atacar investigadores e operadores da segurança pública.

“A divulgação desse tipo de conteúdo não é “informação”: é colocar um alvo nas costas de quem combate ao crime organizado. Mostrar no Instagram, sem autorização, rosto de policiais e delegados que estão atuando em operações contra o crime organizado ameaça diretamente a integridade desses agentes e compromete futuras investigações. Em especial, porque organizações criminosas são conhecidamente violentas, possuem histórico de retaliações e já demonstraram, reiteradas vezes, capacidade de identificar, monitorar e atacar investigadores e operadores de segurança”, enfatiza a nota.

Ainda conforme o posicionamento da Adepol/AC, a manifestação não se trata de censura ou de tentativa de limitar a liberdade de imprensa ou o debate público, mas de um dever mínimo de responsabilidade. A entidade ressalta que expor pessoas identificáveis e meios sigilosos de atuação do Estado pode resultar em riscos à vida e prejuízos às ações de segurança.

A nota também enfatiza que a segurança pública não deve ser tratada como entretenimento e que a exposição de placas e rostos de agentes em atuação coloca o Estado em desvantagem frente ao crime organizado.

O documento é assinado pelo delegado de Polícia Civil Emylson Farias da Silva, presidente da Adepol/AC.

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