Rio Branco, 18 de fevereiro de 2026.

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Dona Nadir: uma dura partida que pede explicações

Professora Nadir foi enterrada nesta manhã de sexta no Cemitério Morada da Paz – Foto: cedida

Na manhã nublada desta sexta-feira, 23 de janeiro, no cemitério Morada da Paz, em Rio Branco, entre parentes, ex-alunos, amigos e gente que talvez nunca tenha dividido uma sala de aula com ela, mas aprendeu com seu exemplo, Xapuri se despediu de uma de suas filhas mais dedicadas. Partiu para Deus no dia anterior Dona Nadir Gomes de Souza, a Nadir do Mucuim — nome que carregava também a memória de seu companheiro de vida, João Moreira de Souza, servidor público respeitado e lembrado com carinho no município. Ela morreu dias depois de passar por um procedimento médico na Unimed Rio Branco sobre o qual sobram dúvidas e faltam explicações.

Falar da professora Nadir é, antes de tudo, falar de educação. De uma vida inteira dedicada a formar pessoas, a organizar escolas, a cuidar de processos e, sobretudo, de gente. Fui aluno, convivi com ela e sei que não exagero ao dizer que sua atuação foi plena na educação de Xapuri. Passou pelo Instituto Divina Providência, no tempo das freiras da Ordem das Irmãs Servas de Maria Reparadoras; atuou na extinta escola de segundo grau Padre Felipe Galerani; ensinou e trabalhou como secretária na escola Plácido de Castro; dirigiu a escola Anthero Soares Bezerra. Em cada um desses espaços deixou marcas de rigor, afeto e compromisso.

Nadir também ajudou a educar fora dos muros da escola. Como diretora da histórica Rádio Educadora 6 de Agosto, lá pelos anos de 1980, participou de um tempo em que o rádio era o principal meio de comunicação da cidade e que se prestava como companhia, formação e serviço público. Ali, apresentou um programa infantil do qual não recordo mais o nome, ao lado de um jovem chamado Fabrício Hadad, filho do ex-prefeito Jorge Akel Hadad, o Jorgito, levando orientação, leveza e cuidado às crianças de Xapuri.

Não é apenas por tudo isso que sua partida dói muito. Não apenas pela ausência em si, mas pelas circunstâncias que a cercam. Dona Nadir não enfrentava um procedimento de alto risco, nem uma situação imprevisível. O que se esperava era um cuidado técnico, atento e responsável. O que se seguiu, segundo relatos da família, foi uma sucessão de falhas que transformaram um tratamento simples em dias de sofrimento, angústia e, por fim, morte.

Não escrevo estas linhas movido por revolta, nem para apontar dedos de forma leviana. Escrevo como alguém que aprendeu com Nadir e que acredita que respeito à vida também se expressa na busca serena pela verdade. Quando protocolos básicos parecem não ser seguidos, quando explicações não vêm, quando o silêncio se impõe, cresce uma inquietação que não é saudável nem para a família, nem para as instituições, nem para a sociedade.

Questionar o que aconteceu não diminui a dor dos filhos Sérgio Roberto e Márcio — dor que todos nós compartilhamos —, mas pode dar sentido a ela. Respostas oficiais, claras e humanas não devolvem vidas, mas ajudam a evitar que outras histórias semelhantes se repitam. Transparência não é punição antecipada, mas compromisso ético.

Xapuri perde uma educadora, uma referência, uma mulher firme e generosa. Honrar a memória de Dona Nadir é lembrar de sua trajetória, mas também zelar para que sua despedida não seja envolta em dúvidas não esclarecidas. Que o luto seja acompanhado de responsabilidade, e que o respeito que ela sempre teve em vida continue se expressando agora, na forma de cuidado com a verdade.

À família, minha solidariedade sincera. À cidade, a certeza de que Dona Nadir seguirá presente — nas escolas que ajudou a conduzir, nas histórias que formou e nas consciências que despertou.

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