
A condenação criminal do professor Uilson Fernando Matter por tortura contra um adolescente de 16 anos, que era seu aluno no campus do Instituto Federal do Acre (Ifac) em Xapuri, veio a público após a demissão do servidor pelo Ministério da Educação (MEC). O desfecho administrativo anunciado na última quinta-feira, 22, trouxe à tona detalhes do julgamento e reacendeu a atenção para um episódio que comoveu e assustou Xapuri pelo ineditismo da violência.
De acordo com as informações apuradas, o professor foi condenado em agosto de 2024 a quatro anos de prisão em regime fechado, em decisão proferida na comarca de Xapuri, onde ocorreram os fatos. Segundo a mesma fonte, atualmente, ele cumpre a pena em regime semiaberto, sob monitoramento eletrônico.
A retomada do assunto ocorreu quando o MEC publicou no Diário Oficial da União o despacho que oficializa a demissão de Uilson. O ato é assinado pelo ministro Camilo Santana, que acolheu integralmente o relatório final da comissão de inquérito e os pareceres técnicos da corregedoria e da consultoria jurídica do ministério, confirmando a regularidade do processo disciplinar e a exclusão definitiva do servidor do serviço público federal.
Em nota, o Ifac informou que adotará os procedimentos administrativos necessários para cumprir a decisão ministerial, destacando que a apuração interna observou o contraditório e a ampla defesa e reafirmando o compromisso com a ética, a integridade e a segurança da comunidade acadêmica.
Caso que chocou a cidade
O episódio ocorreu no final de novembro de 2023, fora das dependências do instituto. O adolescente foi levado a uma propriedade rural do professor, onde teria sido agredido por Uilson e por um diarista, sob a acusação de furto de objetos da residência. Familiares denunciaram o caso à polícia, dando início às investigações.
Uilson se apresentou à delegacia em dezembro de 2023 e foi preso. Em fevereiro de 2024, a Polícia Civil indiciou o professor e outro suspeito, um caseiro da chácara do professor. À época, a autoridade policial informou que também foi solicitada a prisão preventiva do segundo envolvido. Ambos chegaram a ser transferidos para o complexo prisional de Rio Branco. O caso foi acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC).
Com a demissão publicada pelo MEC, encerra-se a esfera administrativa do caso. A revelação da condenação — antes restrita pelo segredo de justiça — ajuda a dimensionar a gravidade de um episódio sem precedentes recentes em Xapuri, que marcou a cidade e reforçou o debate sobre proteção de adolescentes e responsabilidade no serviço público.








