
O número de pessoas mortas por policiais aumentou em 17 estados brasileiros em 2025, sob governos de diferentes partidos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados em reportagem da Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (5). Ao todo, o país contabilizou 6.519 mortes no período — alta de 4,5% em relação às 6.238 registradas no ano anterior — o equivalente a cerca de 18 casos por dia.
Apesar do avanço nacional, o Acre aparece no grupo de nove estados que apresentaram queda na comparação entre 2024 e 2025.
De acordo com o levantamento, o estado governado por Gladson Cameli (PP) reduziu os registros de mortes por intervenção policial de 10 para 9, uma variação de 10%. A taxa também caiu, passando de 1,14 para 1,02 morte por 100 mil habitantes, indicando diminuição proporcional do indicador.
O estudo mostra que o cenário brasileiro é heterogêneo. Enquanto algumas unidades federativas reduziram os índices, outras registraram aumentos expressivos — caso de Rondônia, onde as mortes saltaram de 8 para 47 em um ano, crescimento de 488%, o maior do país.
Na sequência entre os estados com maior alta aparecem Maranhão, com aumento de 87%, e Rio Grande do Norte, com crescimento de 51%.
Em números absolutos, a Bahia lidera o ranking nacional, com 1.569 pessoas mortas pela polícia em 2025, seguida por São Paulo, com 835, e Rio de Janeiro, com 798 ocorrências.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o crescimento da letalidade policial pode estar associado tanto à dinâmica da criminalidade quanto à postura de gestores públicos, incluindo investimentos, formação das forças de segurança e políticas de controle do uso da força.
Ainda segundo o Ministério da Justiça, medidas como a ampliação do uso de câmeras corporais e a qualificação dos protocolos policiais estão entre as estratégias adotadas para tentar conter o avanço do indicador no país.
Contraponto dentro do cenário nacional
Os dados colocam o Acre em posição distinta da tendência predominante. Enquanto Nordeste e Norte concentraram as maiores altas, o estado apresentou retração e manteve patamar reduzido de ocorrências, em contraste com o movimento de expansão observado em parte do território brasileiro.








