
O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte divulgaram nota conjunta neste sábado (21) em que repudiam a homenagem feita por jogadores do Vasco-AC a três atletas da equipe que estão presos, investigados por suspeita de estupro contra duas mulheres no alojamento do clube, em Rio Branco.
A manifestação ocorreu durante a partida contra o Velo Clube, válida pela primeira rodada da Copa do Brasil, realizada na quinta-feira (19). Antes do início do jogo, jogadores do time acreano posaram no gramado exibindo camisas com os nomes dos colegas investigados.
Entre os atletas que participaram do ato estava o goleiro Bruno, ex-Flamengo, condenado pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio.
Na nota oficial, os ministérios afirmaram que manifestam solidariedade às vítimas e reforçaram confiança na atuação da Justiça.
“É inaceitável que o esporte, espaço de formação e inspiração para a juventude, seja utilizado para naturalizar ou relativizar a violência contra a mulher”, diz trecho do comunicado. O texto também destaca o compromisso do governo federal com o enfrentamento de todas as formas de violência contra meninas e mulheres.
Os jogadores Brian Peixoto, Alex Pires e Matheus Azeredo tiveram a prisão temporária mantida após audiência de custódia realizada na terça-feira (17). O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. O atleta Erick Serpa já havia sido preso em flagrante no sábado, dia 14.
Em entrevista ao portal g1, o advogado Atevaldo Santana afirmou que os atletas negam as acusações e sustentam que a relação foi consensual. Segundo ele, todos são maiores de idade, réus primários e não possuem antecedentes criminais.
Por meio de nota, o Vasco do Acre informou que adotou medidas administrativas internas para apurar os fatos e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
No campo, o Vasco-AC foi eliminado da Copa do Brasil após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e derrota nos pênaltis. Bruno chegou a defender duas cobranças e converteu sua penalidade, mas não evitou a desclassificação da equipe acreana.
O goleiro foi condenado pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, com quem teve um filho, Bruninho Samudio — atualmente goleiro das categorias de base do Botafogo. Preso em 2013, Bruno progrediu para o regime semiaberto em 2019 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Em setembro de 2020, chegou a usar tornozeleira eletrônica, posteriormente retirada por decisão judicial durante atividades profissionais.
O Ministério Público do Acre informou que vai investigar a homenagem prestada aos jogadores presos, bem como as declarações do técnico Eric Rodrigues, exibidas em programas de TV locais após a repercussão do caso.
Em nota, a secretária estadual da Mulher, Márdhia El-Shawwa, afirmou que as declarações do treinador desqualificam o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e reforçam a culpabilização das vítimas.
Veja a nota.









