Rio Branco, 4 de maio de 2026.

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Síndrome Alcoólica Fetal: condição irreversível causada pelo consumo de álcool na gravidez pode gerar danos neurológicos e atraso no desenvolvimento

Rafaella Chagas explica que a SAF está dentro do chamado transtorno do espectro alcoólico fetal. Foto: Everton Monteiro

Uma condição grave e irreversível, a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é causada pelo consumo de álcool durante a gestação. Apesar de ser totalmente evitável, ainda é um tema pouco discutido e, em muitos casos, a doença pode ser confundida com outros transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo.

Conforme a gerente do Departamento de Ciclos de Vida da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Rafaella Chagas, a SAF está dentro do chamado transtorno do espectro alcoólico fetal, um conjunto de alterações provocadas pela exposição do bebê ao álcool ainda no útero. “Existe um transtorno pouco conhecido que se chama Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal. Esse transtorno pode gerar a Síndrome Alcoólica Fetal”, explicou.

Segundo Rafaella, na há quantidade segura de ingestão de bebida alcoólica na gravidez. “Não existe uma quantidade mínima que você pode consumir durante a gravidez. O que a gente pede é álcool zero, porque independente da quantidade ingerida, você pode gerar um bebê com síndrome alcoólica fetal”, afirmou.

A gerente acrescentou ainda. “No Brasil, temos um dado que é bem interessante, de 67 mulheres que engravidam e fazem consumo de bebida alcoólica, o bebê desenvolve a forma mais grave da SAF”, complementou.

A SAF pode provocar atraso no desenvolvimento, além de dificuldades cognitivas, problemas neurológicos, baixo QI e hiperatividade. Os efeitos da síndrome acompanham a criança ao longo da vida e podem afetar a aprendizagem, o comportamento e a socialização.

De acordo com a gerente, o diagnóstico correto é um dos principais desafios. “Muitas vezes os profissionais da saúde fazem diagnóstico de autismo, de hiperatividade e não fazem a associação com a possibilidade dessa criança ter a síndrome alcoólica fetal”, detalhou.

Os sintomas semelhantes com de outros transtornos do espectro contribuem para subdiagnósticos ou diagnósticos equivocados.

Relatos de um pai 

Cleiver Lima conhece de perto essa realidade. Pai da Ana Vitória, ele conta que levou anos até ter o diagnóstico confirmado.

Cleiver Lima conta que levou anos até obter o diagnóstico da filha Ana Vitória. Foto: Everton Monteiro

“Sabíamos que ela tinha algo, mas não sabíamos o que. Fomos investigar, mas na época não tínhamos neuropediatras. Alguns médicos disseram que ela tinha uma síndrome, mas não podiam fechar o diagnóstico”, relatou.

A confirmação veio somente após uma avaliação especializada em São Paulo. Além disso, o pai da Ana Vitória também chama atenção para a necessidade de mais informação entre os profissionais de saúde.

“Conseguimos fechar o diagnóstico como Síndrome Alcoólica Fetal. Hoje muitos médicos estão diagnosticando como autismo, mas sendo a Síndrome Alcoólica Fetal, porque o espectro, que são várias situações que essa síndrome ocasiona, tem a mesma identificação com o autismo”, disse.

A gerente do Departamento de Ciclos de Vida da Semsa reforça que a SAF não tem cura. Por isso, a prevenção é a única forma de evitar novos casos. 

“Durante o momento que decidir engravidar, já tira o álcool da vida para evitar que o bebê tenha esse problema”, ressaltou.

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