Rio Branco, 19 de abril de 2026.

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Cooperacre vai receber mais de R$ 67 milhões do Fundo Amazônia, vai beneficiar 1,5 mil famílias e fortalecer cadeias agroextrativistas no Acre

Um novo passo para o fortalecimento da bioeconomia amazônica foi consolidado com a aprovação do projeto “Cooperar com a Floresta: Consolidando Cadeias Agroextrativistas no Acre”, apresentado pela Rede Cooperacre ao Fundo Amazônia/BNDES. A iniciativa prevê investimentos de R$ 67,9 milhões, com execução ao longo de 48 meses, e tem como foco ampliar a produção sustentável, gerar renda e fortalecer a organização comunitária no estado.

O projeto beneficiará diretamente cerca de 1.500 famílias, o equivalente a aproximadamente 6 mil pessoas, em uma área estimada de 4,35 milhões de hectares, abrangendo territórios estratégicos como a Reserva Extrativista Chico Mendes e projetos de assentamento da reforma agrária em 10 municípios acreanos.

Anúncio foi feito pelo presidente da Cooperacre, José Rodrigues, em Brasília – Foto: Leônidas Badaró

A proposta tem como objetivo central consolidar cadeias produtivas agroextrativistas, aliando desenvolvimento econômico à preservação ambiental. A iniciativa reforça o modelo de produção sustentável que mantém a floresta em pé, ao mesmo tempo em que amplia oportunidades para as populações tradicionais.

Investimentos em produção, infraestrutura e inovação

Entre os principais eixos do projeto está o investimento em produção e infraestrutura, que concentra 60% dos recursos. Estão previstas a implantação de 100 unidades produtivas com sistemas agroflorestais (SAFs), a criação de um viveiro central de mudas, além da instalação de quatro agroindústrias de café e estruturas voltadas ao processamento de frutas tropicais.

Também serão implementadas soluções logísticas, como um sistema multimodal de transporte, e iniciativas de sustentabilidade energética, com a instalação de energia solar em 16 unidades produtivas e administrativas.

Outro destaque é o fortalecimento da assistência técnica rural (ATER), que atenderá todas as famílias beneficiadas, incluindo a atuação de jovens agentes locais, ampliando a capacitação e o protagonismo nas comunidades.

Gestão, mercado e fortalecimento da governança

O projeto também contempla a criação de uma plataforma de dados para monitoramento de impactos sociais, econômicos e ambientais, permitindo maior eficiência na gestão e na tomada de decisões. Além disso, prevê estratégias de mercado e comercialização, com foco na valorização dos produtos, melhoria de embalagens e ampliação do acesso a novos mercados.

No campo social, a iniciativa investe na formação de lideranças, com ênfase em gênero e juventude, fortalecendo a identidade das comunidades agroextrativistas. Paralelamente, haverá ações voltadas à governança da Rede Cooperacre, com apoio às cooperativas e padronização de processos de gestão.

Trajetória e consolidação do projeto

A proposta teve sua primeira versão apresentada em 2017 e passou por reformulações até chegar à versão atual, protocolada em 2024. Após análises técnicas e ajustes, o projeto foi aprovado em março de 2026, consolidando-se como uma das iniciativas estruturantes para a sociobioeconomia no Acre.

A aprovação representa um avanço significativo para o fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia, reafirmando o papel das comunidades locais como protagonistas na conservação ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

Durante o anúncio, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou a importância estratégica da iniciativa dentro de um contexto mais amplo de políticas públicas:

“O lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia vai fazer uma diferença grande para o futuro do Acre e da Amazônia. Nós tivemos a alegria de anunciar esse financiamento do Fundo Amazônia, com recursos não reembolsáveis, de cerca de R$ 69 milhões para a Cooperacre. É um projeto inovador, que envolve não só o fortalecimento da cadeia produtiva de frutas, mas também a produção em áreas já degradadas, com recuperação de territórios.”

Diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destaca o projeto como “inovador” – Foto: Leônidas Badaró

Ela também ressaltou que o projeto havia sido apresentado anteriormente, mas só agora pôde ser retomado e aprovado após a reativação do Fundo Amazônia.

Já o presidente da Cooperacre, José Rodrigues de Araújo, celebrou a aprovação e destacou o impacto direto nas comunidades:

“Sim, é um momento para nós muito feliz. Desde 2017 que nós estávamos com esse projeto parado. Nós passamos de um projeto de R$ 17 milhões para R$ 69 milhões. Não posso deixar de agradecer a equipe do BNDES e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sabe da importância disso para as famílias. São hectares que vão sair do passivo ambiental e se transformar em renda, permitindo que as famílias permaneçam na floresta, cuidando da floresta e alimentando quem está na cidade.”

Um modelo de desenvolvimento sustentável

A aprovação representa um avanço significativo para o fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia, reafirmando o papel das comunidades locais como protagonistas na conservação ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

O projeto também dialoga com políticas ambientais lideradas pelo Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva, e reforça o papel da bioeconomia como alternativa concreta ao desmatamento.

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