Rio Branco, 18 de abril de 2026.

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Investimentos reacendem esperança, mas histórico das rodovias impõe cautela no Acre

BR-364 é considerada das umas piores estradas federais do país – Foto cedida

O anúncio de quase R$ 1 bilhão em investimentos federais para obras de infraestrutura no Acre, ocorrido na semana passada em Brasília levanta um questionamento antigo sobre o real impacto desses recursos na condição das duas únicas estradas que ligam o estado de uma ponta a outra. Será que agora vai?

A promessa, apresentada pelo ministro Renan Filho ao lado do presidente da Apex, Jorge Viana, prevê intervenções importantes na BR-364 e na BR-317 — rodovias que, mais do que vias de transporte, são essenciais para a integração e o funcionamento do estado.

O volume de recursos chama atenção e, naturalmente, reacende a expectativa da população. Mas, junto com a esperança, vem também um sentimento de cautela, alimentado por décadas de obras, promessas e resultados que nem sempre se sustentaram ao longo do tempo.

No caso da BR-364, no trecho que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, a realidade é amplamente conhecida. São anos de dificuldades enfrentadas por quem depende da estrada e enfrenta períodos de isolamento, prejuízos econômicos, acidentes e, em casos mais graves, perda de vidas. Ao longo das últimas décadas, sucessivos investimentos foram anunciados e executados, mas sem que se chegasse a uma solução definitiva para os problemas estruturais da rodovia.

A nova proposta aposta no uso do chamado macadame hidráulico, tecnologia que promete maior resistência. A expectativa é de que, desta vez, as intervenções consigam superar o histórico de obras que não resistem às condições climáticas da região.

Jorge Viana ao lado de Renan Filho durante anúncio de investimentos nas estradas federais no Acre – Foto Dell Pinheiro

Do outro lado do estado, a BR-317, no trecho que liga Rio Branco a Assis Brasil, apresenta um cenário menos dramático, mas ainda distante do ideal. Ao longo de seus cerca de 340 quilômetros, a rodovia alterna trechos em melhores condições com outros bastante comprometidos. Entre Rio Branco e Xapuri, por exemplo, a estrada costuma oscilar conforme o período do ano e, atualmente, apresenta grande quantidade de buracos. O trecho entre Xapuri e Epitaciolândia é apontado por usuários como o mais regular. Já de Brasiléia até Assis Brasil, na fronteira com Peru e Bolívia, a situação é considerada precária há bastante tempo.

Ainda que essa percepção não seja técnica — longe disso —, ela reflete o olhar de quem utiliza a rodovia no dia a dia e depende diretamente de suas condições para trabalhar, estudar, fazer turismo ou acessar serviços básicos em locais diferentes de onde vive, especialmente na capital.

O anúncio dos investimentos ocorre em um contexto que também chama atenção: a proximidade de um novo ciclo eleitoral. Historicamente, períodos como esse costumam ser acompanhados por maior volume de obras e recursos. Isso não diminui a importância das intervenções, mas reforça a necessidade de que os resultados ultrapassem o calendário político.

Ao classificar a BR-364 e a BR-317 como a “espinha dorsal” do estado, o ex-governador Jorge Viana sintetizou o papel dessas rodovias para o Acre. São elas que garantem mobilidade, abastecimento, integração e desenvolvimento. Quando não funcionam, todo o estado sente.

É justamente por isso que a expectativa da população vai além do anúncio de cifras. O que os acreanos aguardam, depois de tantos anos, não é apenas mais uma intervenção, mas a possibilidade concreta de que desta vez os resultados apareçam — e permaneçam.

Raimari Cardoso é jornalista de Xapuri e usuário constante da BR-317.

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