
O Acre registrou uma redução de 32% no desmatamento acumulado entre agosto de 2025 e março de 2026, acompanhando a tendência de queda observada em toda a Amazônia Legal no mesmo período, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
De acordo com os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), o estado saiu de 282 km² de área desmatada entre agosto de 2024 e março de 2025 para 193 km² no período entre agosto de 2025 e março de 2026, consolidando uma queda significativa na devastação florestal.
Na Amazônia Legal como um todo, a redução no primeiro trimestre de 2026 foi de 17%, com o desmatamento caindo de 419 km² para 348 km² em comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado do chamado calendário do desmatamento — de agosto a março — a queda regional chegou a 36%, com redução de 2.296 km² para 1.460 km², o menor índice registrado desde 2017.
Apesar do cenário positivo no acumulado, os números mais recentes mostram que o Acre ainda enfrenta pontos críticos. Em março de 2025, o estado havia registrado 2 km² de desmatamento, enquanto em março de 2026 o número subiu para 3 km², representando aumento de 50% no comparativo mensal.
Além disso, o Acre aparece com destaque negativo entre os municípios que mais desmataram em toda a Amazônia Legal. Entre os dez municípios com maior área afetada no período analisado, três são acreanos:
Feijó – 43,49 km²;
Tarauacá – 32,28 km²;
Rio Branco – 26,07 km².
Os dados revelam que, embora o estado tenha reduzido o desmatamento no acumulado geral, algumas regiões seguem sob forte pressão. O levantamento também mostra avanço preocupante dentro de áreas protegidas. Três unidades de conservação localizadas no Acre aparecem entre as dez com maiores registros de desmatamento na Amazônia:
Reserva Extrativista Chico Mendes – 12,61 km²;
Floresta Estadual do Rio Gregório – 4,48 km²;
Reserva Extrativista do Alto Juruá – 4,14 km².
A presença de áreas protegidas acreanas nesse ranking chama atenção especialmente no caso da Reserva Extrativista Chico Mendes, símbolo da luta ambiental liderada pelo sindicalista que lhe dá nome e referência internacional na defesa da floresta.







