Moradores do Ramal Novo Horizonte, na zona rural de Plácido de Castro, denunciam a retirada da rota de transporte escolar que atendia estudantes da comunidade há mais de 20 anos. Segundo relatos, a decisão tem afetado diretamente o acesso de crianças e adolescentes à escola.
De acordo com a representante da comunidade, Diana Nascimento de Lima, pais e responsáveis chegaram a se reunir com o prefeito Camilo da Silva para tratar da situação, após a suspensão do serviço ainda no mês de março.
“Essa rota existia há mais de 20 anos. A gente foi atrás, teve reunião com o promotor e ele disse que ia voltar na mesma semana, mas até agora nada”, afirmou.
Documento entregue à prefeitura

Um ofício encaminhado pela comunidade à prefeitura solicita oficialmente o retorno do transporte escolar no trecho entre a Vila Campinas e o km 12 do ramal. No documento, os moradores destacam que não há impedimento judicial para a retomada do serviço e que a decisão depende do Executivo municipal.
O texto também aponta prejuízos diretos aos alunos, que dependiam do transporte para frequentar as aulas.
Crianças caminham ou dependem dos pais
Sem o ônibus escolar, a rotina das famílias mudou. Segundo os moradores, algumas crianças passaram a ir a pé, enquanto outras dependem dos pais para chegar até pontos na BR-364, onde conseguem acessar outro transporte.
“Tem criança indo a pé porque não tem quem leve. Outros pais estão levando até a BR para pegar ônibus”, relatou Diana.
Conversas com o prefeito



Prints de conversas com o prefeito, onde representante da comunidade apela pelo retorno do serviço de ônibus às crianças – Foto cedida
Prints de conversas mostram que o prefeito afirmou que a rota não seria retomada no momento. Em uma das mensagens, ele cita dificuldades operacionais e a falta de liberação de veículos como entraves para normalizar o serviço.
“Não vai fazer essa rota, os alunos daí irão todos para a escola do ramal”, diz um trecho da conversa.
Em outro momento, o gestor afirma que aguarda liberação de ônibus e que o processo “não está fácil”.
Comunidade contesta justificativas
Os moradores, no entanto, contestam a justificativa apresentada pela prefeitura. Segundo eles, durante reunião no Ministério Público, foi informado que não havia impedimento legal para a retomada da rota.
Ainda conforme os relatos, o próprio prefeito teria atribuído inicialmente a suspensão a cortes de despesas e a questões envolvendo o Ministério Público, versão que, segundo a comunidade, não se confirmou.
“Na audiência ficou claro que não tinha impedimento. Mesmo assim, até agora o transporte não voltou”, disse Diana.
Impacto na educação
A principal preocupação da comunidade é com o prejuízo educacional dos estudantes, que já acumulam semanas sem frequência regular.
“Os meninos já vão fazer quase um mês sem estudar”, relatou uma das mensagens enviadas ao prefeito.
Em plácido de Castro, a situação precária do transporte escolar, relatado pela comunidade, não é nenhuma novidade. Em janeiro deste ano, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) requereu que a prefeitura adotasse, em caráter de urgência, adequações para melhorar o serviço de transporte escolar. A ação já tinha sido proposta em maio do ano passado em razão de falhas identificadas na prestação do transporte escolar pela rede municipal (leia aqui).
A reportagem não conseguiu contato com o prefeito Camilo, de Plácido de Castro. O espaço segue à disposição do gestor, caso haja interesse em uma manifestação.








