Rio Branco, 18 de junho de 2026.

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Sexta-feira Santa: entenda o significado da Semana Santa e a tradição de não comer carne

Padre Mássimo Lombardi, uma das principais referências da Igreja Católica no Acre, fala sobre o verdadeiro sentido da Semana Santa – Foto acervo Diocese

A Sexta-feira Santa, celebrada nesta sexta-feira, 3, marca um dos momentos mais profundos da fé cristã. Inserida na Semana Santa, a data relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo e convida os fiéis à reflexão, ao silêncio e à espiritualidade.

Considerado o período mais importante do calendário cristão, a Semana Santa reúne celebrações que recordam os últimos momentos da vida de Jesus, da entrada em Jerusalém até a ressurreição.

Segundo o padre Massimo Lombardi, da área missionária da Cidade do Povo, em Rio Branco, esse é o centro da fé cristã.

“Estamos na Semana Santa, que é o coração da fé cristã. Nesta semana, celebramos os últimos passos de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição”, afirmou.

Caminho de fé e reflexão

A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido pelo povo, mas já marcado pelo início do caminho até a cruz.

“Enquanto uns o aclamavam, outros preparavam a sua morte”, explicou o padre.

Na Quinta-feira Santa, a Igreja celebra a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés, símbolo de humildade e serviço ao próximo.

“O lava-pés é um sinal de serviço e de amor, sobretudo ao povo mais humilde”, destacou Lombardi.

Já a Sexta-feira Santa, vivida hoje, representa o ápice do sofrimento de Cristo e carrega um significado profundo para os cristãos.

“Nos lembra que Deus não é indiferente ao sofrimento humano. Jesus, crucificado, assume a dor, a injustiça e o abandono”, disse.

A data também é um momento de lembrar aqueles que enfrentam dificuldades no mundo atual.

“Nós queremos lembrar todas as pessoas que carregam a sua cruz, a cruz da fome, da injustiça, da humilhação e das guerras”, acrescentou.

A esperança da ressurreição

Apesar do tom de dor e recolhimento da Sexta-feira Santa, a mensagem central da fé cristã é a esperança, que se concretiza na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa.

“A Vigília Pascal é a celebração da ressurreição. Não podemos parar na morte. A ressurreição nos lembra que sempre é possível recomeçar”, afirmou o padre.

Para os cristãos, a Páscoa representa a vitória da vida sobre a morte.

“A Páscoa é a vitória de Cristo sobre a morte. É a passagem da morte para a vida. É a certeza de que o amor é mais forte que tudo”, disse.

Mais que tradição: o sentido da abstinência

Uma das práticas mais conhecidas da Sexta-feira Santa é a abstinência de carne vermelha. Mais do que uma regra, o gesto tem um significado espiritual.

“Não é só uma regra, é um gesto de espiritualidade. A carne sempre foi vista como alimento de festa. Ao abrir mão dela, a pessoa faz um pequeno sacrifício, lembrando o grande sacrifício de Cristo na cruz”, explicou Lombardi.

O padre ressalta, no entanto, que o sentido vai além da alimentação

Padre explica que abstinência da carne deve ser acompanhada de atitudes concretas de solidariedade – Foto cedida

“O importante não é só não comer carne. A Igreja nos pede também o jejum como caminho de libertação interior”, afirmou.

Segundo ele, a prática deve estar ligada a atitudes concretas de solidariedade.

“Aquilo que a gente economiza deveria se transformar em gesto de caridade, ajudar alguém, partilhar com quem precisa”, destacou.

Fé que se vive na prática

Mais do que participar das celebrações, a Semana Santa também é um convite à vivência da fé no cotidiano.

Para Lombardi, o período reforça valores essenciais como empatia, solidariedade e esperança.

“A Semana Santa nos ensina que mesmo em meio às dores e às crises, a esperança não morre. Deus continua agindo”, disse.

Solidariedade além das fronteiras

Em meio aos conflitos globais no Oriente Médio, durante as celebrações da Sexta-feira Santa, a Igreja Católica também promove um gesto concreto de solidariedade: a coleta destinada aos cristãos desses locais.

“Hoje, em todas as igrejas, fazemos uma coleta para ajudar os cristãos da Terra Santa, sobretudo neste tempo de guerras”, explicou o padre.

Segundo ele, os conflitos têm impactado diretamente essas comunidades.

“Muitos cristãos são obrigados até a sair. Então, essa ajuda é fundamental para manter a presença cristã nesses lugares”, afirmou.

A Semana Santa, portanto, vai além de tradições e rituais. É um tempo de reflexão, fé e transformação, que convida os fiéis a reviverem o sentido mais profundo da mensagem cristã: o amor, a esperança e a possibilidade de recomeçar.

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