Rio Branco, 5 de maio de 2026.

Aleac não se omita

Acre registra aumento de conflitos no campo em 2025 e mais de 7 mil famílias são afetadas

Conforme relatório, Acre contabilizou 75 conflitos no campo em 2025 – Foto cedida

O Acre registrou 72 conflitos por terra em 2025, afetando 7.371 famílias em todo o estado, segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra no último dia 27 de abril. O número representa um aumento em relação a 2024, quando foram contabilizadas 59 ocorrências e 6.115 famílias atingidas.

No ranking da região Norte, o estado aparece como o quarto com maior número de conflitos agrários, atrás de Pará (145 registros), Rondônia (115) e Amazonas (89). Ao todo, a região somou 529 ocorrências. Considerando todas as categorias analisadas, o Acre contabilizou 75 conflitos no campo em 2025, com mais de 30 mil pessoas afetadas.

Além das disputas por terra, o levantamento aponta duas ocorrências de trabalho análogo à escravidão no estado, com 19 trabalhadores resgatados, e um conflito relacionado ao uso da água, que impactou 300 famílias.

De acordo com o relatório, os conflitos por terra envolvem ações de resistência e enfrentamento relacionadas à posse, uso e propriedade, além do acesso a recursos naturais, como áreas de seringais. Já os conflitos trabalhistas dizem respeito a situações com indícios de trabalho escravo ou superexploração, enquanto os conflitos pela água envolvem disputas pelo uso e preservação de recursos hídricos.

Os dados também detalham a gravidade das ocorrências no estado: foram registradas 906 ameaças de despejo, 2.750 tentativas de expulsão, cerca de 1.800 bens destruídos, um caso de pistolagem, 4.333 invasões e dez ameaças de morte ao longo do ano.

Para a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra no Acre, Darlene Braga, o avanço dos conflitos está diretamente ligado à ausência de políticas efetivas de regularização fundiária. Segundo ela, há “comodismo e omissão dos órgãos responsáveis” na resolução das disputas e no reconhecimento de territórios tradicionais.

Darlene afirma que muitos desses conflitos ocorrem de forma silenciosa — e, em alguns casos, acabam “silenciados pelo próprio Estado”. Ela defende que o país avance na reforma agrária como medida essencial para reduzir a violência no campo.

“É preciso regularizar os territórios de comunidades que vivem há décadas nessas áreas e ainda não têm segurança jurídica. Também é fundamental implementar políticas públicas com um olhar mais cuidadoso para o campo. Enquanto não houver reforma agrária, não teremos paz no campo”, concluiu.

Apesar do cenário preocupante, o relatório traz um dado considerado positivo: não houve registro de homicídios relacionados a conflitos no campo no Acre em 2025. Ainda assim, a coordenadora da CPT-AC pondera que o dado não deve ser motivo de comemoração. Segundo ela, a violência extrema segue presente em regiões próximas, especialmente em áreas de fronteira com o Amazonas, onde chacinas continuam sendo registradas. 

Compartilhe em suas redes

Portal Acre- 1200x250