Rio Branco, 9 de maio de 2026.

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Possível “Super El Niño” reforça alerta para seca, calor extremo e queimadas no Acre

Seca extrema pode ser uma das consequências do “Super El Niño” no Acre – Foto Marcos Vicentii/Secom

As novas projeções climáticas internacionais que apontam para a formação de um possível “Super El Niño” entre 2026 e 2027 reforçam os alertas já emitidos por pesquisadores da Amazônia Sul Ocidental sobre o risco de uma seca severa atingir o Acre nos próximos meses.

A mais recente atualização do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) elevou ainda mais a preocupação dos meteorologistas ao indicar um aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade histórica, comparável — ou até superior — aos grandes episódios de 1997-1998 e 2015-2016.

O cenário dialoga diretamente com o alerta divulgado no fim de abril por pesquisadores da Iniciativa MAP — rede trinacional formada por Acre, Pando (Bolívia) e Madre de Dios (Peru) — que já apontava para a possibilidade de 2026 ser marcado por estiagem severa, calor extremo e aumento significativo das queimadas na região amazônica de fronteira.

Calor, fumaça e escassez de água

Historicamente, o El Niño reduz o volume de chuvas na Amazônia e favorece períodos prolongados de seca. No Acre, os efeitos costumam aparecer na forma de rios em níveis críticos, aumento dos focos de incêndio, ondas de calor e piora da qualidade do ar.

Os pesquisadores da Iniciativa MAP alertam que a combinação entre mudanças climáticas globais e fatores locais — como desmatamento, uso do fogo na produção rural e expansão de áreas degradadas — pode potencializar ainda mais os impactos do fenômeno no estado.

As novas projeções do ECMWF indicam que o período mais crítico deve ocorrer entre setembro e novembro de 2026, justamente durante a fase mais intensa da estiagem amazônica.

Um dos pontos mais preocupantes destacados no relatório da Iniciativa MAP é o impacto da fumaça sobre a saúde da população amazônica. Segundo o estudo, a exposição prolongada à poluição causada pelas queimadas pode reduzir a expectativa de vida da população em até dois ou três anos. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.

Além disso, o aumento global da temperatura do planeta intensifica os efeitos climáticos extremos. Os pesquisadores destacam que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou cerca de 16% desde 1998, favorecendo secas mais severas e ondas de calor mais intensas.

Fenômeno pode chegar antes do habitual

Outro fator que chama atenção dos especialistas é a rapidez do aquecimento no Pacífico Equatorial. Diferentemente do padrão mais comum, quando o El Niño se fortalece no segundo semestre, os modelos indicam que o fenômeno pode se consolidar ainda entre maio e junho.

Isso significa que os efeitos climáticos podem começar a ser percebidos no Acre já nos próximos meses, com temperaturas acima da média e redução gradual das chuvas.

Diante do cenário, os pesquisadores defendem que estados amazônicos, incluindo o Acre, adotem medidas preventivas imediatas para enfrentar um possível evento climático extremo. Entre as recomendações apresentadas estão: fortalecimento do sistema de saúde; ampliação do monitoramento da qualidade do ar; planos de contingência para abastecimento de água; reforço no combate às queimadas; preparação de comunidades vulneráveis; proteção de populações indígenas e ribeirinhas.

O alerta é de que, mesmo em cenários de menor probabilidade, os governos precisam considerar desde já hipóteses mais severas para evitar que a combinação entre seca extrema, calor e fumaça provoque uma nova crise ambiental e sanitária na Amazônia Sul Ocidental.

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