
Rio Branco sediará, no próximo sábado, dia 13 de junho, a etapa da região Norte do projeto “Feiras de Saúde: Saberes Ancestrais dos Terreiros e o Cuidado na Atenção Primária à Saúde”, iniciativa do Ministério da Saúde que busca fortalecer o diálogo entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os povos e comunidades tradicionais de terreiro.
O encontro será realizado no Aaffin Asé Yemanjá Ogunté – Terreiro da Cabocla Jarina, no Polo Belo Jardim, reunindo representantes do Ministério da Saúde, gestores estaduais e municipais, Ministério Público, Defensoria Pública, Fiocruz, lideranças religiosas e organizações da sociedade civil.
A proposta é reconhecer os terreiros como espaços de acolhimento, cuidado comunitário, promoção da saúde e fortalecimento dos vínculos sociais, valorizando práticas ancestrais que historicamente integram a vida de milhares de brasileiros, especialmente da população negra. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa integra uma estratégia nacional voltada à promoção da equidade racial no SUS e ao enfrentamento do racismo institucional e religioso.
O Acre foi incluído no circuito nacional do projeto, que está percorrendo as cinco regiões do país. Antes da passagem por Rio Branco, atividades semelhantes ocorreram em Recife e no Distrito Federal. Após a etapa acreana, o projeto seguirá para Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Além de promover o intercâmbio de experiências entre profissionais da saúde e comunidades tradicionais, o evento também busca ampliar a compreensão sobre os determinantes sociais da saúde e fortalecer práticas de cuidado culturalmente sensíveis. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, à Política Nacional de Atenção Básica e à Estratégia Antirracista do Ministério da Saúde.
Dados apresentados pela coordenação do projeto ajudam a contextualizar a importância do debate. Segundo o levantamento, 56,4% dos adeptos das religiões de matriz africana no Brasil são pessoas negras. O estudo também aponta que 76% dos terreiros já sofreram algum tipo de racismo religioso e que 93% daqueles com mais de 100 frequentadores relatam ter vivenciado situações de violência ou discriminação religiosa.
A programação contará com três mesas de diálogo. A primeira discutirá a saúde da população negra e a contribuição dos saberes ancestrais dos terreiros para a atenção primária. A segunda abordará os avanços e desafios no enfrentamento ao racismo religioso. Já a terceira tratará da relação entre cultura, saúde e segurança alimentar, destacando o papel das comunidades de terreiro na promoção da alimentação saudável, do cultivo de plantas medicinais e do apoio comunitário.
Também estão previstas apresentações culturais, momentos de integração comunitária e a participação de autoridades e especialistas ligados às áreas da saúde, direitos humanos e promoção da igualdade racial. O encerramento ocorrerá com um tradicional Toque de Caboclo.
Mais do que um evento temático, a feira pretende ampliar o diálogo entre ciência, políticas públicas e conhecimentos tradicionais, reforçando o reconhecimento dos terreiros como espaços de cuidado, resistência cultural e promoção da vida.








