
Com altas temperaturas na cidade de Rio Branco, intensificadas com a chegada do verão amazônico, trabalhadores que têm jornadas prolongadas expostas ao sol têm desafios para amenizar os efeitos do calor e evitar as consequências para a saúde.
O feirante, Rodrigo de Souza, que trabalha com esse setor desde de 2018, afirmou ao Portal Acre sobre as estratégias que utiliza para enfrentar os dias de calor intenso “O jeito é tomar bastante banho e muita água gelada. Alguns têm o benefício de trabalhar no ar condicionado, porque estudaram, eu não estudei, o que aprendi foi na escola da vida”, disse.
Atuando há mais de 20 anos como mototaxista, Leandro Pereira reconhece que o calor aumenta as demandas de corridas. “Quanto mais quente, mais a praça é melhor, quanto está mais frio, o pessoal opta pelo transporte coletivo, o calor é nosso aliado”. No entanto, o trabalhador afirma que a rotina fica mais cansativo e alguns cuidados precisam ser tomados. “Tem que andar com uma blusa de manga, se for possível, com luva”, disse.

Câncer de pele é o que mais afeta a população
Mas o problema da exposição ao sol vai muito além do desconforto provocado pelo calor. A falta de proteção de quem trabalha sob o sol afeta a saúde. E o principal problema é o câncer de pele.
Este tipo de câncer é o tumor maligno mais incidente no Brasil, representando cerca de 30% a 33% de todos os registros da doença no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 220 mil novos casos anuais, sendo o tipo não melanoma o mais comum e o melanoma o mais agressivo.
A médica Isabel Neves, que trabalha na Unidade Básica de Saúde, José Adriano Lopes Pessoa, localizada no bairro Triângulo Velho, em Rio Branco, conversou com a equipe do Portal Acre sobre como, em períodos de estiagem, as condições climáticas podem ser severas para quem mora na capital acreana: “Quem vive em Rio Branco conhece bem a força do nosso clima. Com a chegada do período de estiagem no Acre, os termômetros ultrapassam facilmente os 33°C, e a sensação térmica dita o ritmo das ruas”, comentou.
Isabel Neves alerta sobre os danos deixados pela exposição prolongada ao sol: “O que para muitos parece ser apenas um “dia cansativo” ou um “queimado de sol” é, na verdade, um estado de estresse térmico perigoso e cumulativo”, relata.
Riscos
Ao comentar sobre riscos e consequências de longas jornadas de trabalhadores expostos no sol, Isabel Neves, explica que a curto prazo, os riscos são imediatos. “A desidratação severa e a exaustão pelo calor provocam tonturas, dores de cabeça, náuseas e episódios de desmaio. Além do sofrimento físico, sob calor extremo, o cérebro perde o foco e os reflexos ficam lentos, elevando drasticamente as chances de graves acidentes de trabalho em canteiros de obras ou no trânsito urbano”, relata.

O maior vilão
Isabel também alerta para o vilão silencioso chamado radiação ultravioleta (UV): “O maior inimigo é aquele que age em silêncio. A radiação ultravioleta acumulada na pele ao longo de do tempo de atividade exposto ao sol acelera o envelhecimento, causando lesões oculares como a catarata e o câncer de pele”, disse.
Como se proteger

Para uma eficiente proteção, a médica destaca quatro pontos indispensáveis, sendo o primeiro sempre se hidratar muito. “A hidratação sem espera, o trabalhador não pode esperar a sede chegar. A hidratação precisa ser contínua, com a ingestão de água de hora em hora”, informa Neves.
Para os trabalhadores, a profissional orienta o uso de camisas de manga comprida com proteção UV, chapéus de abas largas, bonés do estilo “árabe” (que cobrem o pescoço e as orelhas) e óculos escuros com filtro UV. “Quem pode, deve usar, esses não são acessórios de luxo, são Equipamentos de proteção vitais para a saúde do trabalhador”, orienta.
No entanto, a mais importante orientação para quem trabalha exposto ao sol é o uso do protetor solar para evitar o câncer de pelo.
“O uso do protetor solar é extremamente importante para evitar o câncer de pelo. E não pode ser de qualquer jeito, é preciso que o fator de proteção seja de 30 ou superior e deve ser aplicado antes de sair de casa e, crucialmente, reaplicado a cada duas ou três horas, especialmente nas mãos, braços, rosto e pescoço”, destaca Isabel.








