Rio Branco, 28 de junho de 2026.

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Criação de corregedoria amplia tensão entre atual gestão e administração eleita da Ufac

Guida e Josimar passaram de aliados a adversários e são personagens de uma crise instituicional da UFAC – Foto cedida

A decisão da atual administração da Universidade Federal do Acre (Ufac) de criar uma unidade correcional durante o período de transição entre gestões aprofundou a crise institucional que se instalou após a eleição para a Reitoria. O tema, que inicialmente parecia restrito à organização administrativa da universidade, transformou-se em mais um foco de embate entre a equipe da atual reitora, Guida Aquino, e as entidades representativas de docentes e técnicos-administrativos, que apoiam a gestão eleita para o quadriênio 2026-2030, encabeçada pelos professores Josimar Batista e Marco Amaro.

A polêmica ganhou novos contornos na última sexta-feira (26), quando a administração superior divulgou uma nota de esclarecimento e repúdio em resposta ao manifesto publicado um dia antes pela Associação dos Docentes da Ufac (Adufac) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação do Terceiro Grau do Acre (Sintest). As entidades haviam acusado a atual gestão de adotar medidas que poderiam comprometer a autonomia da futura administração, especialmente pela criação da corregedoria por meio de decisão ad referendum, sem deliberação prévia do Conselho Universitário.

Na manifestação conjunta, os sindicatos afirmam que não são contrários à criação de uma unidade correcional, considerada uma exigência compatível com as diretrizes da Controladoria-Geral da União (CGU). A crítica, segundo as entidades, recai sobre o momento escolhido para sua instituição. O documento sustenta que a medida foi adotada “no apagar das luzes” do mandato da atual reitora, após anos sem que a estrutura tivesse sido implantada, e levanta suspeitas de que a iniciativa possa influenciar ou limitar a atuação da gestão eleita.

Outro ponto levantado pelas entidades é o uso do instrumento ad referendum, que, na avaliação dos sindicatos, afastou o debate nas instâncias colegiadas da universidade. Para Adufac e Sintest, uma estrutura administrativa com atribuições sensíveis, como a condução de processos correcionais e disciplinares, deveria ser discutida amplamente e contar com a participação da administração que assumirá a universidade em agosto.

Em resposta, a administração superior da Ufac rejeitou as acusações e afirmou que a reitora permanece investida de todas as competências legais até o encerramento de seu mandato, previsto para 11 de agosto. Segundo a nota, a criação da Unidade Correcional não decorre do processo eleitoral, mas do cumprimento de compromisso firmado junto à Controladoria-Geral da União no Acre em dezembro de 2025, após avaliação de integridade realizada pelo órgão de controle.

A gestão argumenta ainda que a implantação da corregedoria vinha sendo discutida há pelo menos dois anos, mas dependia da disponibilização de um cargo de direção específico, condição que teria sido atendida apenas recentemente. Diante disso, sustenta que a administração tinha o dever de estruturar imediatamente a unidade, em atendimento às recomendações da CGU.

Sobre a utilização do mecanismo ad referendum, a Reitoria afirma que a medida foi necessária porque as reuniões dos conselhos superiores estão suspensas em razão da greve dos servidores técnico-administrativos. A nota ressalta que a paralisação dos colegiados não exime a dirigente máxima da universidade de praticar atos administrativos considerados essenciais ao funcionamento institucional.

A administração também rebate a interpretação de que estaria extrapolando suas atribuições durante a transição. Segundo a Reitoria, a comissão responsável pelo processo de passagem de gestão já foi instituída e a primeira reunião com representantes do reitor eleito está marcada para o próximo dia 30 de junho. O documento destaca que a transição não representa uma gestão compartilhada e que todas as competências administrativas permanecem sob responsabilidade da atual reitora até o último dia de seu mandato.

Em tom mais contundente, a administração superior acusa as entidades sindicais de utilizarem o movimento para atender interesses de grupos políticos e afirma que parte das críticas dirigidas à reitora configura tentativa de constrangimento, deslegitimação e até misoginia.

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