Rio Branco, 8 de junho de 2026.

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Emoção em Rio Branco: Fusca Clube Acre se une para realizar desejo de idoso acamado após AVC

Passeio de fusca foi um pedido de José Caetano para a família – Foto Lucas Dourado

Na tarde deste domingo, 7, integrantes do Fusca Clube Acre, ocuparam as ruas de Rio Branco em uma homenagem marcada por afeto, emoção e pelo carinho de familiares e amigos de José Caetano, conhecido como “Negão da Gameleira”, idoso que vive acamado após um AVC sofrido em 2018.  Nesse cenário, tomado de emoção, o desejo de José, tomou forma: passear de fusca pela rua em frente ao Calçadão da Gameleira, um dos mais tradicionais pontos turísticos da capital acreana.

O passeio é resultado de um desejo de José. Sua esposa, Raimunda Caetano entrou em contato com o Clube do Fusca em Rio Branco contando da vontade do marido. José trabalhou a vida inteira como eletricista, principalmente na região do Segundo Distrito, por isso o apelido como é conhecido na região “Negão da Gameleira”. Uma de suas paixões foi o automóvel. José teve 15 fuscas ao longo da vida.

No entanto, sua trajetória profissional foi interrompida em 2018, quando Negão teve um AVC e, desde então, vive com graves sequelas. O quadro piorou ultimamente e ele expressou à família que um de seus desejos é dar mais uma volta de fusca em sua vida.

Pedido de José por passeio de fusca, feito pela esposa, comoveu integrantes do Clube do Fusca – Foto Lucas Dourado

O pedido comoveu os integrantes do Clube do Fusca que resolveram tornar o desejo realidade.

Casada há 44 anos com seu José Caetano, Dona Raimunda Caetano, expressou gratidão pela realização do evento: “Estou muito feliz mesmo. A gente falava sempre, mas eu nunca imaginei que estava ao nosso alcance realizar esse sonho”, disse. 

De acordo com dona Raimunda, o primeiro fusca foi adquirido com a venda da primeira casa do casal. “Quando nós morávamos no bairro Aeroporto Velho, ele comprou o primeiro fusca ao trocar na casa que nós tínhamos”, conta.

Emocionada, a esposa revelou ainda que o veículo também faz parte de outras memórias familiares, pois o fusca foi o carro em que eu José ensinou ela e um dos filhos do casal a dirigir. Raimunda conta que José gostava de fazer a customização dos fuscas que possuía: “Os fuscas dele podiam ser comprados na cor preta, amarela, azul, mas todos acabavam sendo pintados de vermelho. Ele, toda vez, pintava, arrumava, gostava de enfeitar, botava para lama quadrado, deixava do jeito que ele queria”, comenta.

Alice Silva, amiga de José, se emocionou ao ver o amigo realizando seu desejo de passeio de fusca – Foto Lucas Dourado

Visivelmente emocionada, amiga da família, Alice Silva comentou o significado da homenagem: “É um momento de muita felicidade, alegria, só pelo fato de que era a coisa que ele mais queria, era realizar esse sonho”, disse.

O trajeto iniciou na casa de seu José Caetano, e contou com a presença de amigos, familiares e integrantes do clube de fuscas com destino à Gameleira. No local, o grupo fez uma parada em frente ao antigo espaço em que seu José trabalhou cerca de 20 anos como eletricista. O local que, antigamente era uma autoelétrica, atualmente funciona como distribuidora.

Durante a parada, seu José reviu Luis Alberto Ferreira, antigo amigo que não conteve a emoção ao reconhecê-lo.

Emoção do amigo ao rever José Caetano – Foto Lucas Dourado

 Na chegada ao Calçadão da Gameleira, seu José foi retirado do fusca vermelho em que estava e foi assentado em uma cadeira. Os participantes do evento aproveitaram a luz do pôr do sol para fazer fotos com seu José.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

Uma fase delicada

Familiares  e amigos contam que José era uma pessoa alegre e que contagiava todos à sua volta. No entanto, a partir do ano de 2018 a rotina da família mudou com o AVC sofrido, trazendo consequências ao estado de saúde do eletricista.

Desde o AVC isquêmico, a rotina da família de seu José nunca mais foi a mesma. “Passou 22 dias numa UTI, no pronto-socorro, e depois passou mais três meses internado. E quando saiu do hospital, ele já saiu se alimentando por sonda gástrica e também com o laudo para uma cama de hospital”, explica a esposa.

De acordo com Dona Raimunda a família teve que recorrer a variados especialistas e providenciar uma cama para seu José. Segundo dona Raimunda: “Ele ficou com muita sequela, ficou 100% acamado, não consegue sentar, virar nem de um lado para o outro se não for a gente manusear”, conta

Infelizmente, recentemente, José teve piora em seu quadro de saúde, o que preocupa ainda mais a família e amigos.  “Hoje ele não está mais como era antes, ele não conversa como conversava, está calado, parece até que teve um outro AVC, porque foi muito rápido que ele parou de falar.  Ele entende o que a gente fala, mas não consegue mais se comunicar”, diz Raimunda.

Desde que sofreu o AVC, José fica aos cuidados da esposa – Foto Lucas Dourado

Fusca Clube Acre

O Fusca Clube Acre tem 12 anos de existência e reúne 65 integrantes apaixonados pelo modelo clássico. O grupo realiza encontros a cada 15 dias e promove atividades internas, externas e ações diversificadas e realiza ações solidárias ao longo do ano.

A homenagem em forma de passeio de seu José emocionou os integrantes do grupo.

“Eu. Particularmente. me emocionei, me arrepiei na hora, a gente fica muito feliz em poder oportunizar isso, o Fusca não é só um carro velho. A gente sabe que em torno do fusca tem muitas histórias, são muitas famílias e cada família é uma história”, disse Nilton Pontes, que é um dos coordenadores do Clube do Fusca.

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