
Com a interrupção do tráfego após o desabamento da Ponte Padre Paolino Baldassari, moradores do Segundo Distrito de Sena Madureira voltaram a depender das catraias para atravessar o Rio Iaco. A situação tem gerado preocupação entre os usuários, principalmente em relação à segurança da embarcação, à falta de iluminação e às limitações de acesso durante a noite.
Em entrevista ao Portal Acre, Antônio Apolinário, de 57 anos, relatou os desafios enfrentados pela comunidade desde a queda da ponte. Nascido e criado no Segundo Distrito, ele acompanha a realidade do bairro desde a infância e afirma que a população voltou a enfrentar dificuldades que pareciam ter ficado no passado.
“Na verdade, como todos nós sabemos, voltamos à estaca zero”, declarou.
Segundo Apolinário, a embarcação utilizada atualmente para a travessia apresenta condições precárias e preocupa os moradores que dependem diariamente do serviço. Ele afirmou que a canoa estaria desgastada e acumulando água durante as viagens, exigindo atenção constante dos operadores.
De acordo com o relato, durante a noite a situação se torna ainda mais delicada devido à falta de iluminação adequada nas margens do rio. O morador afirma que muitas pessoas utilizam lanternas de celulares para auxiliar na travessia.

“É uma escuridão muito grande dos dois lados. A iluminação é uma necessidade urgente para garantir mais segurança para quem utiliza a travessia”, destacou.
Antônio também lembrou que, mesmo quando duas catraias operavam simultaneamente, já existiam dificuldades para atender toda a demanda de passageiros. Agora, com apenas uma embarcação realizando o serviço, a preocupação dos moradores aumentou.
Além das críticas às condições da travessia, Apolinário defendeu a implantação de uma balsa como alternativa emergencial para garantir o acesso entre os dois distritos durante 24 horas por dia. Segundo ele, a proposta já foi discutida com equipes do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre).
O morador sugeriu uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Sena Madureira para realizar serviços de terraplanagem nas margens do Rio Iaco, possibilitando a instalação da estrutura.
“Quando a catraia para de funcionar, a população fica sem opção para atravessar. Tem gente que chega do trabalho mais tarde, tem pessoas que precisam ir para a igreja e acabam encontrando dificuldades”, relatou.
Segundo Apolinário, uma balsa permitiria a travessia de moradores e veículos em qualquer horário, reduzindo os transtornos enfrentados pela população desde o desabamento da ponte.
Ele também chamou atenção para as condições da estrada alternativa utilizada por parte dos moradores, que, segundo ele, necessita de manutenção. Durante a entrevista, afirmou ter recebido informações de que o deputado estadual Antenor Sá teria conversado com equipes responsáveis pela recuperação da via e que serviços de reparo poderão ser realizados nos próximos dias.
Em nome da comunidade do Segundo Distrito, o morador pediu que as autoridades estaduais e municipais unam esforços para garantir mais segurança e melhores condições de deslocamento enquanto soluções definitivas para a ligação entre os dois lados da cidade são implementadas.
“Precisamos de uma solução que garanta acesso à população a qualquer hora. A balsa seria uma alternativa importante para atender a comunidade até que a situação seja normalizada”, concluiu.
Enquanto as medidas emergenciais relacionadas ao desabamento da Ponte Padre Paolino Baldassari seguem sendo discutidas pelas autoridades, a travessia por catraia permanece como a principal alternativa para centenas de moradores que dependem diariamente do acesso ao centro da cidade para trabalhar, estudar, buscar atendimento de saúde e realizar outras atividades.








