
O Acre reúne algumas das condições mais favoráveis da Amazônia para ampliar ações de restauração florestal, mas ainda enfrenta, junto com outros estados vizinhos, um desafio considerado decisivo para que essa agenda avance em escala, que é a limitada oferta de sementes e mudas de espécies nativas.
A necessidade de fortalecer essa cadeia produtiva motivou o lançamento de um novo edital da Conservação Internacional (CI-Brasil), que prevê apoio técnico e financeiro para viveiros e redes de sementes em quatro estados da Amazônia Legal, incluindo o Acre.amazôni
A iniciativa integra o projeto Floresta para o Bem-Estar, financiado pelo Fundo Amazônia e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é selecionar até 60 viveiros e redes de sementes nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso e Pará, sendo até 15 por estado, para participar de um programa de capacitação técnico-gerencial e receber apoio para a implementação de melhorias em suas atividades.
No Acre, o edital contempla como municípios prioritários Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Sena Madureira, Senador Guiomard e Xapuri. A relação, porém, não é excludente, permitindo a participação de iniciativas localizadas em outras cidades do estado.
A abertura da chamada ocorre em um momento em que a restauração florestal ganha cada vez mais espaço nas políticas ambientais brasileiras. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) estabelece a meta de restaurar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030, compromisso que exige uma estrutura robusta de produção de sementes e mudas para atender à demanda crescente.
Segundo a própria CI-Brasil, a logística e a disponibilidade de fornecedores de sementes, mudas e outros insumos continuam sendo um dos principais obstáculos para a restauração em larga escala nos estados amazônicos. O diagnóstico realizado pela organização identificou desafios relacionados à infraestrutura dos viveiros, acesso a insumos, sistemas de irrigação e formalização das atividades.
O levantamento apontou ainda que apenas 17,6% dos viveiros mapeados nos estados participantes possuem registro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), exigência importante para a regularização e comercialização da produção. Entre os viveiros analisados, a maioria demonstrou interesse em receber capacitação para aprimorar tanto os aspectos técnicos quanto os de gestão do negócio.
Oportunidade para fortalecer a bioeconomia
A atividade tem potencial para gerar renda em comunidades rurais, associações, cooperativas, povos indígenas e populações extrativistas, além de fornecer insumos essenciais para projetos de recuperação ambiental e regularização de propriedades.
O programa oferecerá capacitação em temas como identificação botânica, coleta e armazenamento de sementes, produção de mudas, técnicas de restauração ecológica, gestão financeira, planejamento da produção e comercialização. Os participantes também receberão apoio para elaborar planos de negócios voltados ao fortalecimento de seus empreendimentos.
Após a etapa de capacitação, os projetos poderão receber recursos não reembolsáveis para implementar melhorias estruturais e operacionais. O valor previsto é de R$ 26 mil por plano de negócios aprovado, podendo chegar a R$ 40 mil em determinadas situações previstas no edital.
Inscrições abertas
Podem participar associações, cooperativas, fundações privadas, organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs) e micro e pequenas empresas ligadas à área ambiental que possuam CNPJ ativo há pelo menos dois anos. Iniciativas sem CNPJ também poderão participar por meio de instituições aglutinadoras.
As inscrições são gratuitas e permanecem abertas até as 18 horas do dia 17 de julho. As propostas devem ser encaminhadas em formato digital para os endereços eletrônicos indicados no edital.








