Rio Branco, 29 de julho de 2026.

BANNER 1200X250 (3)

Acre pode ganhar quase R$ 6 bilhões com universalização do saneamento

Além dos recursos, universalização pode gerar aproximadamente 9 mil empregos durante a expansão e operação dos sistemas – Foto cedida

Dados atualizados do Painel Saneamento Brasil, a mais nova iniciativa do Instituto Trata Brasil, apontam que a universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Acre poderá proporcionar um benefício econômico líquido de aproximadamente R$ 5,9 bilhões ao estado.

Apesar dessa capacidade, somos o estado brasileiro que menos investiu em saneamento básico nos últimos anos. O contraste entre o potencial de desenvolvimento e o baixo volume de recursos destinados ao setor evidencia um dos principais desafios para que o Acre cumpra as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento.

O montante estimado resulta da combinação de ganhos como aumento da produtividade dos trabalhadores, redução de despesas com saúde, geração de empregos, valorização imobiliária e fortalecimento da atividade econômica.

Entre os principais impactos previstos está o incremento de R$ 3,77 bilhões na produtividade do trabalho, reflexo da redução de doenças relacionadas à falta de saneamento e da diminuição do afastamento de trabalhadores por problemas de saúde. Somados aos demais efeitos positivos, os benefícios econômicos totais chegam a R$ 9,18 bilhões, valor superior aos investimentos necessários para ampliar a cobertura dos serviços.

Entretanto, transformar esse potencial em realidade depende de investimentos que ainda estão longe do necessário. Entre 2020 e 2024, o Brasil investiu R$ 112,6 bilhões em saneamento básico. Desse total, apenas R$ 5,3 bilhões, ou 4,7%, foram destinados à Região Norte. Nesse período, o Acre recebeu somente R$ 65,8 milhões, tornando-se o estado com o menor volume de investimentos do país, equivalente a menos de 0,1% dos recursos aplicados nacionalmente.

O cenário ajuda a explicar por que o estado permanece distante das metas de universalização. Estudo do Instituto Trata Brasil estima que o Acre precisaria investir cerca de R$ 1,44 bilhão entre 2021 e 2055, com um esforço médio de R$ 41,1 milhões por ano, para ampliar a cobertura dos serviços e garantir a sustentabilidade dos sistemas.

Para a engenheira civil Daniela Silva Tamwing Aguilar, especialista em saneamento e atualmente diretora de Planejamento e Gestão do SUS na Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), os números demonstram que o saneamento precisa deixar de ser visto apenas como uma obra de infraestrutura.

“O saneamento tem uma relação direta com saúde, educação, produtividade, desenvolvimento urbano e redução das desigualdades sociais. Por isso, precisa ser compreendido como uma política estruturante de desenvolvimento, e não apenas como uma obra pública”, afirma.

Segundo a pesquisadora, os benefícios vão muito além da expansão da rede de abastecimento de água e de esgoto. Ela explica que o acesso regular aos serviços reduz a ocorrência de doenças relacionadas à água contaminada, diminui afastamentos do trabalho e da escola e alivia a pressão sobre o sistema público de saúde.

“Esse conjunto de efeitos contribui para elevar a produtividade da economia e melhorar a qualidade de vida da população”, acrescenta.

Além dos ganhos econômicos apontados pelo Painel Saneamento Brasil, estudos do Trata Brasil indicam que a universalização dos serviços também poderia proporcionar uma economia de cerca de R$ 156 milhões em despesas com saúde, gerar aproximadamente 9 mil empregos durante a expansão e operação dos sistemas, além de impulsionar a valorização imobiliária e fortalecer o turismo em função da melhoria das condições ambientais.

Compartilhe em suas redes

1200X250 (5)