
Na contramão da tendência nacional de redução da violência letal, o Acre registrou aumento de 6,3% nas mortes violentas intencionais (MVI) em 2025, conforme aponta a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Enquanto o país alcançou o menor índice desde o início da série histórica, em 2012, o estado figura entre as sete unidades da federação que apresentaram crescimento nesse tipo de ocorrência.
De acordo com o levantamento, a taxa nacional de mortes violentas intencionais caiu de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025, representando uma redução de 8,2%. Em números absolutos, o Brasil registrou 40.775 vítimas no ano passado, contra 44.127 contabilizadas em 2024.
O indicador de Mortes Violentas Intencionais reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais em serviço ou fora do horário de trabalho.
Segundo o Anuário, esta é a primeira vez que o país registra uma taxa inferior a 20 mortes violentas por 100 mil habitantes desde o início da série histórica, em 2012. Naquele ano, o índice nacional era de 27,7 mortes por 100 mil habitantes.
Apesar do cenário de redução em nível nacional, o Acre apresentou resultado oposto. O estado registrou aumento de 6,3% nas mortes violentas intencionais em comparação com 2024. Além do Acre, também tiveram crescimento Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Por outro lado, a maior parte das unidades da federação apresentou queda nesse tipo de crime. Os maiores recuos foram registrados no Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%), Mato Grosso (-23,2%), Piauí (-15,7%), Paraná (-15,5%), Minas Gerais (-14,2%), Goiás (-12,7%), Santa Catarina (-11,1%), Bahia (-9,6%), Pernambuco (-9,3%), Espírito Santo (-8,4%), Ceará (-7,5%), Alagoas (-6,6%), Amapá (-5,9%), Paraíba e São Paulo (-3,9% cada), Pará (-3,7%), Sergipe (-3%) e Tocantins e Maranhão (-2,2%).
O levantamento também aponta redução em alguns dos principais indicadores de violência. Os homicídios dolosos caíram 10% no país, enquanto os latrocínios tiveram redução de 17% e os casos de lesão corporal seguida de morte diminuíram 15,2%.
Em contrapartida, dois indicadores apresentaram crescimento. As mortes decorrentes de intervenção policial aumentaram 5,4%, enquanto os feminicídios tiveram alta de 4% em relação ao ano anterior.
Feminicídios seguem em alta
O Anuário também revela que a violência contra a mulher continua avançando no país. Em 2025, foram registrados 1.571 feminicídios, o equivalente a uma média de 4,3 mulheres assassinadas por dia. O número representa crescimento de 4% em comparação com 2024.
Outro dado preocupante é que 44,4% de todas as mulheres assassinadas no Brasil no último ano foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015.
As tentativas de feminicídio também cresceram. Foram contabilizados 4.189 casos em 2025, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. Isso significa que, para cada feminicídio consumado, quase três mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato motivadas pela violência de gênero.
Segundo o estudo, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas conjuntas de feminicídios consumados e tentados, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente. Já as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram índices inferiores.
Além de reunir dados sobre homicídios, feminicídios e demais crimes letais, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública é considerado uma das principais publicações do país sobre violência e criminalidade, sendo elaborado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança pública e demais órgãos oficiais.








