Rio Branco, 28 de julho de 2026.

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Café do Acre vive momento de expansão e avança para conquistar Indicação Geográfica

Secagem correta do café garante uma bebida de qualidade – Foto cedida

A cafeicultura acreana atravessa uma fase de crescimento e fortalecimento, impulsionada pelo aumento da produção, pela melhoria da qualidade dos grãos e pelo reconhecimento conquistado em concursos nacionais. O cenário também tem despertado o interesse de instituições de pesquisa e desenvolvimento, que iniciaram as discussões para a obtenção da Indicação Geográfica (IG) do café produzido no estado, um selo que poderá agregar valor ao produto e ampliar sua inserção em novos mercados.

De acordo com a coordenadora do núcleo de café da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), Michelma Lima, o setor tem se consolidado como uma importante alternativa de geração de renda para agricultores familiares e como uma cadeia produtiva estratégica para o desenvolvimento econômico do Acre.

“Realmente, a cafeicultura do nosso estado vive um momento muito positivo. Nos últimos anos, o estado ampliou a produção, melhorou a qualidade dos cafés e conquistou reconhecimento nacional em concursos e premiações. Hoje, o café é uma importante alternativa de geração de renda para a agricultura familiar e vem se consolidando como uma cadeia estratégica para o desenvolvimento do nosso estado”, destacou.

Acre tem apostado na qualificação para continuar ganhando mercados nacional e internacional – Foto cedida

Segundo Michelma, apesar dos avanços, ainda existem desafios que precisam ser enfrentados para fortalecer ainda mais a atividade. Entre eles estão a ampliação da assistência técnica aos produtores, o aumento do acesso à irrigação, a facilitação do crédito rural, melhorias na infraestrutura e o fortalecimento da organização da cadeia produtiva.

Ela explica, no entanto, que essas demandas vêm sendo trabalhadas pelo Governo do Acre em parceria com instituições como Embrapa, Sebrae, Senar e outros órgãos ligados ao setor.

Mesmo diante desses desafios, a especialista afirma que a cafeicultura continua em expansão no estado, resultado da confiança dos produtores na atividade.

“Isso acontece porque o produtor tem acreditado na cafeicultura, investido em tecnologias, utilizado materiais genéticos mais produtivos, como os materiais clonais, participado de capacitações e encontrado um mercado que valoriza cafés de qualidade. A cafeicultura tem mostrado que é uma atividade rentável e com grande potencial para transformar a realidade das famílias do campo”, afirmou.

Michelma Lima coordena a cadeia produtiva do café na Seagri – Foto cedida

Indicação Geográfica entra na pauta da cafeicultura acreana

Outro passo considerado importante para o setor é o início das discussões para a construção da Indicação Geográfica do café acreano.

Segundo Michelma Lima, o reconhecimento da qualidade do café produzido no Acre despertou o interesse da Embrapa e de outras instituições, que procuraram o Estado para iniciar o processo de elaboração da certificação.

“O café do Acre vem conquistando cada vez mais reconhecimento pela qualidade que apresenta. Esse movimento demonstra que nosso produto já alcançou um nível de notoriedade que justifica o início desse trabalho”, explicou.

Até o momento, já foram realizadas duas reuniões envolvendo representantes das principais instituições que atuam na cadeia produtiva do café. A próxima etapa será a formalização de um grupo de trabalho, por meio de uma portaria, reunindo os órgãos e entidades que participarão diretamente da construção da Indicação Geográfica.

Entre os encaminhamentos definidos está a realização de um diagnóstico técnico que servirá de base para identificar as características do café acreano e subsidiar todo o processo de certificação.

Durante a última reunião, a SEAGRE (Secretaria de Estado de Agricultura do Acre) foi escolhida pelas instituições participantes para coordenar e organizar o grupo de trabalho, articulando os parceiros e acompanhando os encaminhamentos necessários para o avanço do processo de construção da Indicação Geográfica do café acreano.

A expectativa é de que a Indicação Geográfica fortaleça a identidade do café produzido no Acre, agregue valor ao produto, amplie as oportunidades de mercado e reconheça oficialmente a qualidade construída pelos cafeicultores acreanos ao longo dos últimos anos.

“É um sonho que começa a ganhar forma e será fruto do trabalho conjunto das instituições e dos nossos produtores”, concluiu.

Cultura do café se espalha pelo Acre e tem proporcionado aumento de renda aos produtores – Foto cedida

Com a expansão da produção, investimentos em tecnologia, valorização da qualidade e o avanço das discussões para obtenção da Indicação Geográfica, a cafeicultura se consolida como uma das atividades agrícolas de maior potencial para impulsionar a economia do Acre, fortalecer a agricultura familiar e ampliar a competitividade do café acreano nos mercados nacional e, futuramente, internacional.

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