
A demora na definição do processo sobre a morte de Juliana Chaaar Marçal voltou a ser questionada pela família da assessora jurídica nesta semana. Um ano depois do caso, os parentes instalaram um outdoor na Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco, para recordar a vítima e pedir que os acusados sejam submetidos a julgamento.
Juliana tinha 36 anos e trabalhava no Tribunal de Justiça do Acre. Ela morreu em 21 de junho de 2025, após ser atingida por uma caminhonete durante uma confusão registrada nas proximidades de um estabelecimento comercial da capital.
Desde então, dois homens passaram a responder criminalmente pelos acontecimentos daquela madrugada. Diego Luiz Gois Passos, apontado pela investigação como o condutor do veículo, foi denunciado por homicídio qualificado. Keldheky Maia da Silva, que também estava no local, responde por duas tentativas de homicídio qualificadas e porte ilegal de arma de fogo.
Os dois acusados permanecem em liberdade provisória. Diego chegou a utilizar tornozeleira eletrônica, mas, posteriormente, a medida foi retirada por decisão judicial.
Procurado pelo Portal Acre, o advogado Carlos Vinícius Ribeiro Júnior, responsável por representar a mãe de Juliana como assistente de acusação, afirmou que a participação da família no processo ainda depende de autorização judicial.
Segundo ele, enquanto a habilitação não for analisada, a assistência de acusação não poderá apresentar formalmente suas manifestações no processo.
“O processo está parado, aguardando que o juiz autorize a habilitação da assistência de acusação para que, daí, a gente possa começar a apresentar as manifestações”, explicou Carlos Vinícius ao Portal Acre.
A assistência de acusação é a atuação de um advogado contratado pela vítima ou por seus familiares para acompanhar o Ministério Público durante o processo criminal. Entre outras medidas, o profissional pode apresentar pedidos, participar de audiências e colaborar com a acusação dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Carlos Vinícius informou que respeita as decisões que permitiram aos acusados responderem ao processo fora da prisão, mas destacou que a família discorda do entendimento adotado.

“Eu entendo e respeito a decisão do Poder Judiciário, que foi colocá-los em liberdade provisória, e o Diego com monitoramento eletrônico, que depois foi retirado, mas eu discordo dessa decisão”, afirmou.
Para o advogado, os elementos reunidos na investigação devem ser apreciados pelo Tribunal do Júri, órgão responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida. A defesa da família pretende atuar ao lado do Ministério Público para que os acusados sejam pronunciados e levados ao plenário.
“Tenho certeza de que eles praticaram um crime doloso contra a vida de uma inocente e devem ser julgados pelo plenário do Tribunal do Júri. A assistência de acusação, ao lado do Ministério Público, vai fazer de tudo para que isso aconteça”, declarou.
O advogado também classificou as circunstâncias da morte como desumanas e afirmou que a forma como Juliana foi atingida pelo veículo será um dos pontos defendidos pela acusação durante o andamento do processo.
Na avaliação de Carlos Vinícius, o desfecho da ação penal ultrapassa o interesse particular da família, por envolver uma resposta da Justiça a um caso que teve forte repercussão no estado.
“Esse julgamento é um julgamento para o Acre, para que o Acre entenda que aqui neste estado se preserva a dignidade de uma pessoa. Esquecer ou não julgar esse caso como ele deve ser julgado seria um absurdo jurídico, coisa que a gente não vai permitir”, disse ao Portal Acre.
A instalação do outdoor foi a forma encontrada pelos familiares para chamar novamente a atenção para o caso. A mensagem exposta na avenida cobra justiça e reforça que a família não pretende permitir que a morte de Juliana seja esquecida.
O que aconteceu naquela madrugada
As apurações indicam que a ocorrência começou após um desentendimento dentro de um bar em Rio Branco. Em determinado momento, Keldheky Maia teria efetuado disparos em via pública contra dois homens.
Pouco depois, ainda conforme a acusação, Diego Luiz teria utilizado uma caminhonete durante a confusão. O veículo atingiu Juliana e outra pessoa que estavam no local.
A assessora jurídica foi levada ao Pronto-Socorro de Rio Branco, mas morreu horas depois em decorrência dos ferimentos. A Polícia Civil realizou as investigações e encaminhou o caso ao Ministério Público, que apresentou denúncia à Justiça.
O processo tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri. Até o momento, não foi divulgada uma data para eventual julgamento dos acusados. Antes disso, o juiz deverá analisar as manifestações das partes e decidir se existem elementos suficientes para encaminhar o caso ao plenário do júri.







